A Fifa desistiu neste sábado (1º) do projeto Fifa Forward Enterprise, que venderia participações minoritárias de suas principais competições, como a Copa do Mundo, a investidores privados. Apesar do recuo, a Uefa avança com um plano para forçar a saída do presidente da entidade, o suíço Gianni Infantino.
Em comunicado divulgado no mesmo sábado, a confederação europeia afirmou que a atual liderança da Fifa perdeu a confiança da Uefa e de outros membros do futebol mundial. A entidade também relembrou promessas de gestão transparente feitas por Infantino na campanha que o elegeu presidente, em 2016, e afirmou que elas não foram cumpridas.
Proposta previa vender parte da Copa
A proposta, revelada na última terça-feira (28), previa a criação de uma subsidiária para administrar comercialmente torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes, que poderia captar até US$ 4,2 bilhões com a venda de participações. O banco JP Morgan estruturou o negócio, que seria liderado pela gestora Thrive Eternal, do empresário Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump.
Na quinta-feira (30), a Uefa aprovou por unanimidade o boicote às competições da Fifa caso o plano seguisse adiante. Sob pressão, e após críticas também de Concacaf e AFC, a Fifa recuou e anunciou a desistência já no sábado.
Salário milionário para Infantino
Segundo o jornal britânico The Times, Infantino passaria a atuar como diretor-executivo da Fifa após deixar a presidência, caso o projeto avançasse, com salário base de US$ 30 milhões anuais, mais de seis vezes o valor que recebe hoje. A Fifa nega que essa possibilidade tenha sido discutida.
A crise também atingiu o círculo mais próximo de Infantino. Carlos Cordeiro, seu principal conselheiro, pediu demissão e alegou que a entidade já tinha reservas suficientes e não precisaria recorrer ao mercado financeiro.
Próxima eleição será decisiva
A próxima disputa pela presidência da Fifa acontece no 77º Congresso da entidade, em março de 2027, no Marrocos. Se Uefa, Concacaf e AFC votarem em bloco contra Infantino, as três confederações somam 143 dos 211 votos, maioria suficiente mesmo com o apoio de Conmebol, CAF e OFC ao dirigente atual.
Membros do Conselho da Fifa já articulam uma reunião extraordinária para discutir a permanência de Infantino antes mesmo do Congresso de março. Pelo estatuto da entidade, uma eventual saída do suíço levaria o comando interino ao atual vice-presidente mais antigo, o xeque Salman bin Ebrahim Al Khalifa.








