Gianni Infantino recuou nesta sexta-feira (31) do plano de vender participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados, depois de o projeto provocar uma rebelião dentro da própria Fifa, uma semana depois de o presidente ter apresentado a proposta às federações.
UEFA e Concacaf lideram oposição
Em comunicado, Infantino admitiu que o plano gerou um racha que contradiz os próprios objetivos da entidade.
“Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, já não atende ao objetivo definido desde o início. Nosso propósito sempre foi, e sempre será, unir e melhorar. Como resultado, esta proposta não vai prosseguir”, afirmou o dirigente, que também prometeu retomar o diálogo com todos os envolvidos nas próximas semanas.
O projeto, batizado de Fifa Forward Enterprise (FFE), previa arrecadar até US$ 4,2 bilhões com a venda de cerca de 20% de uma nova empresa avaliada em US$ 20 bilhões, que passaria a administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e de outras competições.
A resistência começou com a Uefa, que ameaçou boicotar torneios da Fifa e acusou a entidade de tentar vender a “alma” do futebol, e ganhou força quando a Concacaf também rejeitou formalmente a proposta, dias depois. Para tentar contornar essa resistência, a Fifa chegou a oferecer US$ 40 milhões a cada uma das 211 federações-membro que apoiassem o plano.
Assessor renuncia
A crise também abalou a estrutura interna da entidade: Carlos Cordeiro, assessor sênior de Infantino desde 2021, renunciou ao cargo em protesto contra o projeto, enquanto o diretor de operações da Fifa afirmou publicamente que a própria equipe havia sido “enganada” pelo presidente durante a condução do processo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua vez, negou ter conversado com Infantino sobre o plano, depois de rumores associarem a proposta a fundos ligados a pessoas próximas ao governo americano. Com a desistência oficial, também caiu o prazo até 19 de setembro que a Fifa havia dado às federações para aprovar o projeto.








