A FIFA anunciou, neste final de semana, o abandono total do projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), uma iniciativa que previa a criação de uma empresa comercial para vender ações a investidores privados. Caso aprovado, o salário do presidente da entidade, Gianni Infantino, subiria seis vezes.
Sob a proposta original, lançada no final de julho, Infantino deixaria o cargo de presidente para assumir a posição de “Comissário” da nova entidade, com uma remuneração anual que saltaria de US$ 4,8 milhões (cerca de R$ 25 milhões) para US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 152 milhões).
O plano, avaliado em US$ 20 bilhões, contava com a participação da Thrive Eternal, firma de investimentos de Joshua Kushner, irmão do genro do presidente estadunidense, Donald Trump, e visava arrecadar até US$ 4,2 bilhões com a venda de 20% das ações da nova empresa.
Oposição global
A iniciativa, no entanto, colidiu com uma oposição global coordenada e sem precedentes. A UEFA liderou a resistência, ameaçando boicotar todas as futuras Copas do Mundo e declarando que “a Copa do Mundo não está à venda”.
As confederações da CONCACAF (América do Norte e Central) e da AFC (Ásia) uniram-se imediatamente ao protesto, somando 143 federações contrárias. A pressão foi tamanha que levou à renúncia de Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino, que classificou o projeto como “um mau negócio para o futebol”.
Cedeu à pressão
Em comunicado oficial, Infantino admitiu que o projeto “criou divisões” e não seguia mais adiante. Com o fim do plano FFE, a estrutura de governança da FIFA permanece inalterada, o salário do dirigente mantém-se nos valores atuais e a tentativa de privatização parcial dos direitos comerciais do futebol global é arquivada.
A UEFA, no entanto, declarou que a confiança na liderança atual foi perdida e exigiu uma revisão completa da governança da entidade. Devido a isso, as federações já estudam a possibilidade de dar um voto de censura e substituir Infantino por um novo nome.








