UEFA deu um passo decisivo na crise com a FIFA. Em assembleia extraordinária realizada nesta quinta-feira (30), a entidade europeia reafirmou sua oposição ao projeto de comercialização da FIFA e também indicou oficialmente seu candidato para disputar a presidência da entidade máxima do futebol nas eleições de 2027.
O escolhido é Nasser Al-Khelaifi, atual presidente do Paris Saint-Germain (PSG) e da Associação Europeia de Clubes (ECA), que, apesar de ter declarado publicamente não ter “ambição ou interesse” no cargo, conta com apoio unânime dos 55 membros da UEFA.
Impasse com a FIFA
A movimentação ocorre em meio ao impasse sobre a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões que prevê a venda de até 20% de suas ações a investidores privados, incluindo o grupo Thrive Eternal. Para a UEFA, a medida representa uma “privatização disfarçada” do esporte e uma ameaça à governança do futebol.
Embora o boicote às Copas do Mundo de 2030 e 2034 tenha sido aprovado por unanimidade como plano de contingência, a estratégia principal dos europeus agora é desafiar Gianni Infantino, o atual presidente da FIFA e um dos idealizadores da FFE, e ocupar a presidência da FIFA para barrar reformas consideradas lesivas aos interesses do futebol continental.
“A Copa do Mundo pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela nunca estará à venda”, afirmou o presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, em nota oficial.
Problemas na indicação
A indicação de Al-Khelaifi, no entanto, enfrenta resistência. Além da recusa pública do próprio executivo qatariano, há o desafio de articular apoio fora da Europa.
Enquanto as confederações da Ásia (AFC) e da América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF) manifestaram preocupação com a falta de transparência no processo da FFE, as posições das confederações da África (CAF) e da América do Sul (CONMEBOL) permanecem indefinidas.
“Cabo de guerra” com a FIFA
Especialistas apontam que a manobra da UEFA pode forçar uma negociação com Gianni Infantino, cujo mandato vai até 2027. No entanto, a FIFA mantém o prazo de 19 de setembro de 2026 para a votação da proposta da FFE.
Caso seja aprovada, a UEFA ameaça não enviar suas seleções aos próximos Mundiais, o que esvaziaria tecnicamente e comercialmente as competições.
De acordo com analistas, ao indicar Al-Khelaifi, a UEFA transforma uma ameaça de boicote em uma disputa direta pelo poder e também expõe os desgastes que a entidade europeia vem acumulando com Infantino.








