Um relatório divulgado nesta semana pelo Grupo de Copenhague, entidade independente ligada ao Conselho da Europa, identificou sete partidas da Copa do Mundo de 2026 com “alertas amarelos” por possíveis irregularidades no mercado de apostas.
O torneio, que movimentou cerca de US$ 240 bilhões (aproximadamente R$ 1,3 trilhão) em apostas, foi monitorado em suas 104 partidas, mas a FIFA manteve sua posição oficial de que não houve manipulação de resultados.
Os casos sob suspeita
Os alertas amarelos, que indicam “múltiplos indícios de irregularidades” sem confirmar fraude, concentram-se em incidentes específicos que combinaram eventos em campo com movimentações atípicas nas casas de apostas e mercados de previsão.
O caso mais emblemático envolve o atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. No dia 2 de julho, a plataforma de previsão Polymarket abriu um mercado de apostas questionando: “Balogun jogará contra a Bélgica?”. A criação do mercado ocorreu no mesmo dia em que o jogador foi expulso contra a Bósnia, o que tecnicamente o impediria de atuar nas oitavas.
No entanto, a situação mudou quando o presidente estadunidense, Donald Trump, interveio e pediu a retirada do cartão de Balogun. O relatório destaca que nenhum outro mercado similar foi aberto para os outros 14 jogadores expulsos no torneio.
Dois jogos da Espanha, eventual campeã, também estão sob escrutínio. Na partida contra Cabo Verde, foram registrados US$ 4,8 milhões em apostas prevendo que os espanhóis não venceriam, um volume considerado desproporcional para o confronto, que terminou em 0 a 0.
Já na goleada de 4 a 0 sobre a Arábia Saudita, o alerta foi gerado por uma demora de três minutos e meio do VAR para anular um gol de Ferran Torres, período que causou alta volatilidade nas odds ao vivo.
O primeiro alerta do torneio ocorreu na partida de abertura entre África do Sul e México, causado pela expulsão aos 84 minutos do sul-africano Themba Zwane. Os outros três casos não tiveram detalhes divulgados.
Posicionamento da FIFA
Apesar dos apontamentos do Grupo de Copenhague, a FIFA divulgou nota oficial afirmando que sua Força-Tarefa de Integridade, em cooperação com o FBI e a Interpol, “não identificou atividades suspeitas de apostas ou indícios de manipulação de resultados em nenhuma das 104 partidas”.
A entidade máxima do futebol classifica os alertas amarelos como medidas preventivas diante de anomalias estatísticas, comuns em eventos de volume financeiro tão expressivo. “O volume de apostas em uma Copa do Mundo é tão enorme que é muito difícil tirar conclusões”, explicou Christian Kalb, especialista em integridade no setor de jogos.








