Júlio Casares, ex-presidente do São Paulo FC, utilizou o cartão corporativo da agremiação para gastar mais de R$ 1 milhão em despesas pessoais de luxo entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025. As faturas revelam gastos com charutos de alta gama, frequentes refeições em restaurantes sofisticados e compras em lojas de grife internacionais como Prada e Zara.
O volume de gastos apresentou uma escalada exponencial, saltando de aproximadamente R$ 20 mil em 2021 para R$ 428.568,52 apenas em 2024. Embora Casares tenha devolvido R$ 560.401,74 ao clube em novembro de 2025, reconhecendo parte das despesas como pessoais.
Atualmente, ele enfrenta um processo de expulsão por gestão temerária, teve seu impeachment aprovado em janeiro de 2026 e responde a inquéritos do Ministério Público por suspeitas de desvio de recursos e lavagem de dinheiro.
Detalhes do impeachment
A descoberta dos gastos acelerou o processo político interno que culminou na queda de Casares. Em 16 de janeiro de 2026, o Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou o impeachment do então presidente por 188 votos, superando amplamente os dois terços necessários.
Vale destacar ainda que a votação foi motivada não apenas pelas despesas pessoais, mas por um conjunto de escândalos, incluindo a venda irregular de ingressos em camarotes do Morumbi e suspeitas de desvios na venda de atletas.
Após a aprovação no conselho, Casares foi afastado preventivamente e, dias depois, apresentou sua renúncia ao cargo, evitando a votação final na Assembleia Geral de Sócios.
Agora ele responde a um processo administrativo na Comissão de Ética do clube que pede sua expulsão definitiva do quadro social por gestão temerária, com base na reprovação de suas contas de 2025 por 210 votos contra 24.
Investigação
Para além das despesas no cartão de crédito, Julio Casares enfrenta uma situação jurídica ainda mais grave. O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo (PC/SP) conduzem inquéritos para apurar crimes de gestão temerária, furto qualificado e lavagem de dinheiro.
Depoimentos colhidos em julho de 2026 por uma força-tarefa indicam que Casares realizava saques mensais em espécie de cerca de R$ 100 mil dos cofres do clube, totalizando um montante investigado de até R$ 11 milhões.
Segundo testemunhas, o dinheiro era retirado sob a justificativa genérica de “ações promocionais” e entregue em envelopes na presidência, sem a devida comprovação fiscal.
A defesa do ex-dirigente nega todas as irregularidades, afirmando que as movimentações eram lícitas e destinadas a despesas operacionais do clube, mas a Justiça já determinou a quebra de sigilo bancário dos envolvidos.
O São Paulo FC, agora sob a gestão interina de Harry Massis Jr., emitiu nota confirmando o recebimento dos valores devolvidos por Casares, mas reforçou que “caso seja comprovado que o cartão corporativo foi utilizado para fins pessoais, a instituição buscará o ressarcimento integral dos prejuízos”.







