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Bastaram 30 dias para Globo ser destronada de reino que construiu durante meio século, aponta colunista

Por Júlio Nesi
23/07/2026
Em Geral
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Sede da Rede Globo no Rio de Janeiro.

Foto: Doll91939 / Wikimedia Commons

Sede da Rede Globo no Rio de Janeiro. Foto: Doll91939 / Wikimedia Commons

Desde o encerramento da Copa do Mundo de 2026, analistas vêm comentando que, mesmo saindo como campeã de Ibope, a Rede Globo viu desmoronar o monopólio de audiência e influência que construiu ao longo de meio século.

A decisão estratégica da emissora de abrir mão da exclusividade na transmissão do torneio permitiu a ascensão meteórica de concorrentes como a CazéTV, fragmentando a atenção do telespectador brasileiro e redefinindo o cenário do esporte na televisão nacional.

Segundo a análise do colunista Leonardo Damico, do portal Lance!, a Globo “perdeu em um mês o que cultivou por décadas”. Ao transmitir apenas 52 das 104 partidas do Mundial, a emissora carioca quebrou o ciclo que fazia do canal a única opção para o torcedor, o que entregou de bandeja uma audiência cativa para concorrentes.

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Estratégia poupa carteira e custa trono

A queda de braço começou com a negociação dos direitos de transmissão. Visando evitar prejuízos bilionários em um cenário de dólar alto, a Globo optou por adquirir apenas metade dos jogos, rompendo com uma tradição de exclusividade que durava 24 anos em Copas do Mundo. No entanto, o cálculo cobrou um preço alto.

Sem a grade completa, a emissora viu sua audiência média cair 22% em comparação à Copa de 2022, fechando o torneio com média de 17 pontos na Grande São Paulo nos jogos que transmitiu. A ausência de partidas-chave em sua grade criou vácuos que foram imediatamente preenchidos pela concorrência.

Ascensão da CazéTV

A grande vencedora da nova configuração foi a CazéTV, canal de streaming liderado por Casimiro Miguel. Diferente da Globo, a plataforma transmitiu todos os 104 jogos gratuitamente pelo YouTube, consolidando-se como o “porto seguro” do torcedor moderno.

Os números ilustram a mudança de comportamento: enquanto a Globo teve um crescimento modesto de 4% em relação à sua estreia no torneio, a CazéTV registrou uma expansão avassaladora de 66%.

No jogo entre Brasil e Japão, o streaming atingiu 21,1 milhões de dispositivos conectados simultaneamente, um recorde histórico para transmissões esportivas digitais no país. Ao todo, a plataforma alcançou 118,7 milhões de pessoas distintas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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