A Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PC/RS) deflagrou, neste mês, uma operação contra um esquema de criação e comercialização de galos destinados a rinhas clandestinas na Serra Gaúcha. Entre os investigados está o empresário Alexandre Bertolucci, casado com Kátia Aveiro, irmã do astro do futebol Cristiano Ronaldo.
A operação
A ação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Proteção ao Meio Ambiente (DEMA/DEIC) e resultou no cumprimento de três mandados de busca e apreensão nas cidades de Gramado e Igrejinha.
Segundo as investigações, os locais eram utilizados para a reprodução, treino e venda de galos da raça Mura, uma espécie valorizada no mercado ilegal de lutas de aves.
Durante as diligências, foram inspecionadas cerca de 1.500 aves. O delegado Gustavo de Mattos Brentano, responsável pelo caso, relatou que muitos dos animais apresentavam sinais evidentes de maus-tratos e estavam sendo preparados para competições ilegais. No mercado negro, cada galo da raça Mura pode atingir valores entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.
Além das aves, que foram apreendidas e ficaram à disposição dos órgãos ambientais para recolhimento, a polícia confiscou celulares, documentos que comprovam a comercialização dos animais e uma arma de fogo.
Ilegalidade das rinhas e próximos passos
A prática de rinhas de galo é crime no Brasil desde 1934, enquadrada na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98). As penas para os responsáveis podem ir de multas que podem ultrapassar R$ 500 mil a prisão de até um ano, que pode aumentar em casos de mortes dos animais e reincidência.
Recentemente, tribunais brasileiros têm aplicado penas de prisão em regime semiaberto e multas milionárias para organizadores de rinhas, considerando a crueldade e a organização criminosa como agravantes.
A polícia segue com as investigações para analisar a documentação apreendida, ouvir testemunhas e determinar a hierarquia exata dentro do esquema criminoso.
O foco agora é estabelecer a responsabilidade direta de cada investigado na criação, treino e comercialização das aves, bem como identificar a rede de clientes que adquiria os animais para as lutas. O inquérito policial deve ser encaminhado ao Ministério Público nas próximas semanas para as denúncias formais.








