A inteligência artificial vem avançando dia após dia em diversos setores, inclusive em uma de suas funções mais famosas: a escrita de textos. No entanto, mesmo com a melhoria na qualidade, textos escritos exclusivamente por IA ainda podem ser pegos por detectores e humanos experientes.
A nova geração de modelos, incluindo o GPT-5 e o Claude 3.5, produz conteúdos mais próximos da escrita humana, desafiando os algoritmos de verificação. No entanto, detectores líderes de mercado como Turnitin e Originality.ai reportam taxas de acerto entre 92% e 98% quando analisam textos sem edições humanas.
O segredo da detecção
De acordo com especialistas, o segredo da taxa de sucesso é a análise de características e padrões específicos de textos escritos por IAs. No caso, os principais pontos analisados pelos detectores e humanos especialistas em escrita por IA são a previsibilidade das palavras e o chamado “burstiness“, que é a variação da estrutura das frases.
1. Texto “perfeito demais”
Ao contrário dos humanos, que geralmente escrevem com ritmo irregular, seguindo tom neutro, as IAs tendem à uniformidade. Essa “assinatura digital” de “baixa surpresa textual” é o que permite que ferramentas como o GPTZero e o Winston AI sinalizem conteúdos suspeitos com alta precisão em cenários controlados.
2. Vícios da IA
Outro ponto também é que textos escritos por IAs geralmente possuem vícios específicos. Por exemplo, o clássico “não é isso, é aquilo”, o uso de expressões de encerramento genéricas e a falta de uso de dados concretos.
Especialistas apontam que a IA geralmente evita usar dados justamente para minimizar as “alucinações”, fenômeno em que a IA simplesmente inventa informações e dados inexistentes para responder às demandas, o que acaba desinformando o usuário.
Internautas também destacam que os agentes de IA têm “palavras favoritas”, que são muito repetidas nos textos, como a palavra “real” seguindo um adjetivo ou frases prontas como “virada de chave”.
No entanto, vale destacar que quando um texto passa por edição humana, a precisão dos detectores despenca para cerca de 68%, segundo testes independentes realizados no primeiro semestre de 2026.
Controvérsia
Vale reforçar também que há uma controvérsia envolvendo o uso de alguns detectores. No caso, estudos recentes apontam que escritores não nativos, textos acadêmicos formais e textos na forma de comunicação de pessoas autistas são flagrados como “IA” com taxas desproporcionais por algumas ferramentas.
Por exemplo, dados compilados em maio de 2026 indicam que ensaios escritos por estudantes de inglês como segunda língua (ESL) sofrem taxas de falsos positivos de até 61%. Especialistas explicam que isso acontece devido ao fato de que estruturas gramaticais simples e vocabulário direto, comuns em quem aprende o idioma formalmente, imitam os padrões das IAs.
No contexto da língua portuguesa, textos técnicos e jurídicos também apresentam taxas de erro elevadas, chegando a 35% em algumas ferramentas, devido à rigidez e formalidade exigidas nessas áreas.
Já na língua inglesa, o problema também persiste. Para se ter ideia, em 2024, pesquisadores utilizaram detectores na Declaração de Independência dos Estados Unidos, documento histórico do século XVIII, e a ferramenta denunciou que o documento era de 98,51% a 99,99% gerado por IA.








