Dezessete dos dezoito integrantes do Comitê Disciplinar da Fifa não foram consultados antes da decisão que livrou o atacante americano Folarin Balogun de cumprir suspensão nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.
Segundo o jornal britânico The Times, a autorização partiu de uma escolha individual de Mohammad Al Kamali, presidente do comitê.
Balogun havia recebido cartão vermelho direto do árbitro brasileiro Raphael Claus na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, nos 16 avos de final.
Pela regra da Fifa, a expulsão geraria suspensão automática para o jogo seguinte, contra a Bélgica, mas a entidade decidiu suspender a aplicação da pena por um período probatório de um ano, além de aplicar multa de US$ 40 mil ao atacante.
Decisão sem precedentes
De acordo com a imprensa, casos disciplinares importantes da Fifa costumam ser analisados por um grupo de pelo menos três membros do comitê, e Al Kamali nunca havia decidido sozinho em mais de 100 casos anteriores cujas conclusões foram publicadas pela entidade.
A decisão foi anunciada dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmar publicamente ter telefonado para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para questionar a expulsão de Balogun.
Infantino disse ter respondido que o caso seria analisado por um “órgão judicial independente” da entidade, mas não detalhou o processo de decisão que se seguiu.
Recurso que não foi aceito
A Federação Belga de Futebol apresentou recurso contra a liberação de Balogun, mas a Fifa rejeitou o pedido antes da partida, mantendo o atacante apto para jogar.
Mesmo com a polêmica, o resultado em campo não mudou o destino da seleção americana: os Estados Unidos foram goleados por 4 a 1 pela Bélgica e eliminados da competição.
Falta de transparência que ainda persiste
Até a publicação desta reportagem, a Fifa não havia divulgado publicamente a fundamentação escrita completa da decisão, nem respondido a pedidos de comentário da imprensa sobre o fato de Al Kamali ter decidido sozinho.








