O WhatsApp começou a liberar, no fim de junho, a reserva de nomes de usuário dentro do aplicativo. Alguns analistas apontam que a novidade parece simples à primeira vista, mas marca o início do fim de uma era em que o número de telefone era a principal forma de identificação no app.
Com o novo recurso, cada conta poderá escolher um identificador único que passa a funcionar como um substituto do número em conversas com desconhecidos. Assim, quem inicia um contato sem ter o telefone salvo verá apenas o nome de usuário, enquanto contatos já salvos continuam enxergando o número normalmente.
A liberação, no entanto, acontece de forma gradual. Por enquanto, os usuários podem apenas reservar o nome desejado, e o uso efetivo do recurso, com a ocultação completa do número em novas conversas, ainda será ativado aos poucos nos próximos meses, conforme a disponibilidade em cada país.
Para escolher um nome de usuário, é necessário acessar as configurações do aplicativo, entrar na aba de conta e selecionar a opção de nome de usuário. O identificador precisa ter entre três e 30 caracteres, conter ao menos uma letra e não pode terminar com extensões como “.com”. Caso o nome escolhido já esteja em uso, o próprio WhatsApp sugere alternativas.
Por que a mudança acontece agora?
A justificativa oficial da Meta, empresa dona do WhatsApp, é o reforço da privacidade dos usuários. Ao reduzir a exposição do número de telefone, a plataforma diminui o risco de vazamento de dados.
Vale lembrar que o número de telefone não serve apenas para conversas no WhatsApp. Ele costuma estar vinculado a contas bancárias, redes sociais, cadastros de lojas, autenticação em duas etapas e diversos outros serviços digitais. Por isso, evitar que esse dado circule livremente ajuda a reduzir a exposição das pessoas a golpes e fraudes.
Não haverá, de acordo com a empresa, um diretório público de busca por nomes de usuário. Ou seja, para começar uma conversa por esse caminho, será preciso já conhecer o identificador exato da outra pessoa.
O que isso vai mudar na prática?
Segundo especialistas, a transição vai afetar principalmente o funcionamento de empresas que usam o WhatsApp como canal de vendas e atendimento. Segundo Guilherme Rocha, CEO da HelenaCRM, empresa mineira especializada em atendimento via WhatsApp, a mudança pode mudar a forma como as marcas se relacionam com o público.
De acordo com o executivo, o novo modelo passa a usar um identificador técnico próprio para cada relação entre cliente e empresa, o que reduz o cruzamento de dados entre operações diferentes e limita a formação de perfis de comportamento unificados.
Sistemas de atendimento automatizado, CRMs e integrações que hoje dependem do número de telefone como principal chave de identificação vão precisar se adaptar para reconhecer o novo formato. Sem essa atualização, negócios que usam o aplicativo para vendas e suporte correm o risco de enfrentar falhas no fluxo de atendimento.
Além dos nomes de usuário, o WhatsApp também vai oferecer uma chave de acesso opcional. Quando ativado, esse código passa a ser exigido de qualquer pessoa que tente iniciar uma conversa pela primeira vez usando apenas o nome de usuário, reforçando ainda mais a camada de proteção contra contatos indesejados.








