O Google confirmou a entrada em vigor de uma ampla atualização em suas políticas de privacidade, autorizando o uso de interações de usuários e mídias enviadas, incluindo imagens, arquivos de voz, documentos e vídeos, para o treinamento e aprimoramento de seu modelo de inteligência artificial, o Gemini.
O quão grande é a coleta?
A nova diretriz permite que o Google utilize “uma amostra” das interações dos usuários para melhorar seus serviços de IA. Diferentemente de práticas anteriores mais restritas, a atualização abrange conteúdos multimídia complexos enviados durante o uso do assistente.
Tecnicamente, esses dados são armazenados em uma pasta específica dentro do Google Drive do usuário, identificada como ‘Opal‘. O armazenamento padrão dessas informações é configurado para durar pelo menos 3 anos, período durante o qual o conteúdo fica disponível para revisão pelo usuário e potencial uso nos algoritmos de aprendizado de máquina da empresa.
Essa política se aplica globalmente, embora usuários na União Europeia (UE) e no Reino Unido mantenham certas proteções regionais que podem limitar o escopo do treinamento com dados pessoais sensíveis.
Repercussão
O anúncio da empresa gerou reações imediatas entre usuários e especialistas, que passaram a questionar até onde essa mudança deve respeitar a privacidade do usuário.
Vale distinguir, no entanto, que o Google mantém a posição de que e-mails do Gmail e conteúdos puramente privados de comunicação não são utilizados para treinar o Gemini, focando a coleta estritamente nas interações diretas com as ferramentas de IA e serviços de busca associados.
Para usuários corporativos e clientes da versão paga do Gemini, as regras permanecem diferentes: o Google contratualmente se compromete a não usar prompts ou respostas desses clientes para treinamento de modelos, oferecendo um nível superior de isolamento de dados em comparação com a versão gratuita voltada ao consumidor final.
Impactos
A política de dados se estende também aos novos dispositivos de hardware que utilizam o Gemini, como os óculos inteligentes desenvolvidos em parceria com a Samsung, previstos para lançamento no final de 2026.
Embora os termos específicos para a captura visual contínua desses dispositivos ainda estejam em revisão, a base legal atual sugere que as imagens processadas pelo assistente seguirão as mesmas regras de retenção de 18 meses e possível revisão humana de até 3 anos, caso a atividade não seja desativada pelo usuário.








