Assim como o Pix mudou a forma como os brasileiros pagam contas e fazem transferências, a União Europeia quer criar sua própria alternativa aos sistemas de pagamento controlados por empresas americanas.
A Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu aprovou uma proposta para a criação do euro digital, versão eletrônica da moeda europeia.
A votação, realizada em 23 de junho, é uma etapa importante do projeto, que agora segue para negociação final entre o Parlamento Europeu, os governos dos 27 países do bloco e a Comissão Europeia. A expectativa do Banco Central Europeu (BCE) é lançar a nova modalidade da moeda até 2029.
Por que a Europa quer um euro digital
Mesmo usando uma moeda própria, o euro, os países europeus dependem fortemente de sistemas de pagamento americanos, como as bandeiras de cartão Visa e Mastercard, além de carteiras digitais como Google Pay, Apple Pay e PayPal.
A crescente disposição do governo dos Estados Unidos de usar ferramentas financeiras como forma de pressão geopolítica preocupa autoridades europeias.
O euro digital costuma ser comparado ao Pix brasileiro, mas há uma diferença importante entre os dois sistemas. O Pix é uma ferramenta pública de pagamentos instantâneos, operada pelo Banco Central do Brasil, que funciona por cima do sistema bancário já existente.
O euro digital, por sua vez, será uma versão digital da própria moeda europeia, emitida diretamente pelo BCE, mais parecida com o dinheiro físico que circula hoje.
Como vai funcionar
O plano prevê versões online e offline da moeda, que deve funcionar como complemento ao dinheiro físico, e não como substituto.
Antes do lançamento definitivo, o Banco Central Europeu vai realizar uma fase piloto de 12 meses, com testes em situações reais, envolvendo empresas de pagamento licenciadas na zona do euro e comerciantes selecionados para participar do programa.
Um projeto que já leva mais de dois anos
A proposta original da Comissão Europeia foi apresentada em 2023. Desde então, foram necessários mais de dois anos até que os governos dos países membros chegassem a um consenso, seguidos por outro período de negociação interna no Parlamento Europeu.
Um dos principais pontos de divergência foi a defesa, por parte de alguns parlamentares, de que a solução fosse desenvolvida pelo setor privado, e não pelo próprio Banco Central. Prevaleceu, no fim, a posição de que o BCE deve comandar toda a infraestrutura da nova moeda digital.




