Um estudo feito pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, publicado na revista científica Science Advances, mapeou as regiões do mundo que podem se tornar inabitáveis por causa da combinação de calor e umidade extremos nas próximas décadas.
O trabalho ganhou nova repercussão em junho de 2026, em meio à onda de calor que levou países europeus ao alerta máximo e ao debate crescente sobre os limites humanos diante do aquecimento global.
A análise usa o conceito de temperatura de bulbo úmido, um índice que mede a capacidade do corpo humano de se resfriar pela transpiração. Quando esse índice ultrapassa 35°C, nem pessoas saudáveis em repouso e à sombra conseguem regular a temperatura corporal.
A exposição nessas condições por seis horas pode ser fatal.
Quais regiões estão em risco até 2050
As áreas mais ameaçadas para a próxima geração são o sul da Ásia, o Golfo Pérsico e a costa do Mar Vermelho.
Países como Paquistão, Bangladesh e partes da Índia já registram eventos periódicos próximos do limite crítico. Em estados como Kuwait, Catar e Barein, a combinação de temperatura e umidade já ultrapassa a fronteira de segurança em alguns dias do ano.
Até 2050, a tendência é que esses episódios deixem de ser esporádicos e se tornem uma constante sazonal.
Partes da China, do sudeste asiático e da costa africana no Mar Vermelho também aparecem nos modelos de risco para o mesmo período.
E o Brasil?
O estudo aponta o sudeste do Brasil, incluindo a região do Rio de Janeiro, entre as zonas que poderão se tornar difíceis de habitar até 2070 por causa do calor com alta umidade. O prazo é mais longo do que o das regiões tropicais do Golfo e da Ásia, mas a tendência é a mesma.
Especialista em clima tropical, o pesquisador Carlos Nobre, alertou que em um cenário de aquecimento de 8°C a 10°C acima dos níveis pré-industriais até 2100, praticamente todo o planeta se tornaria inabitável. “Os únicos lugares habitáveis para o corpo humano seriam o topo de montanhas como os Alpes, a Antártica e o Ártico”, afirmou.
O estudo da NASA registrou que, entre 1979 e 2017, o número de eventos de calor extremo com umidade perigosa triplicou no mundo. A onda de calor de junho de 2021, no noroeste dos EUA e no Canadá, matou 1.400 pessoas com temperatura de bulbo úmido abaixo de 25°C, ainda longe do limite crítico.
A reversão desse cenário depende de metas climáticas globais. O Acordo de Paris prevê limitar o aquecimento a 1,5°C, mas as emissões atuais colocam o planeta numa trajetória de aquecimento entre 2,5°C e 3°C até o fim do século.




