O dilema da oposição israelense diante da força árabe
A vitória dos partidos árabes em Israel esbarra em divergências ideológicas na oposição para formar um novo governo
Os partidos árabes conquistaram 19 das 120 cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense.
São quatro assentos a mais do que os 15 obtidos em 2020, resultado que representa uma vitória histórica para as legendas árabes.
O desempenho é consequência de uma participação eleitoral excepcionalmente alta entre os eleitores árabes e pode dar ao bloco influência decisiva na formação do próximo governo.
O bloco de apoio ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu perdeu 11 cadeiras, passando de 64 para 53.
Já o partido Yashar!, fundado por Gadi Eisenkot, estreou na disputa com 21 assentos.
A coalizão de oposição, liderada por Eisenkot, soma 48.
O fiel da balança
Igor Sabino, diretor de conteúdo da StandWithUs Brasil, afirma que o partido Ra'am já se mostrou favorável a participar da formação de um novo governo.
Em 2021, o Ra'am tornou-se o primeiro partido árabe independente a integrar uma coalizão de governo em Israel, contribuindo para a formação do governo de Naftali Bennett e Yair Lapid.
Sabino ressalta, contudo, que alguns integrantes das legendas árabes têm discursos hostis a Israel e chegam a se recusar a condenar o ataque de 7 de outubro de 2023.
Esse cenário dificulta a formação de um novo governo.
"O Ra'am, embora seja islamista, já formou governos em Israel. Em 2021, com Bennett e Lapid, também se mostrou disposto a formar um novo governo. Mas só isso não é suficiente. Teria que ter o apoio da Lista Árabe Unida, o que é mais difícil. Entre os membros dessa coalizão, há alguns partidos e figuras com discursos hostis a Israel. Alguns deles são até antissionistas e se recusam a condenar o ataque de 7 de outubro do Hamas."
Até o momento, apenas o líder dos Democratas, Yair Golan, demonstrou disposição para formar uma coalizão com os partidos árabes.
"Não descarto, totalmente, um governo com os árabes. É possível que seja formado um governo minoritário em que os árabes não vão se opor e também não vão integrar o governo. É difícil que os árabes aceitam essa posição e que façam essas concessões", acrescenta Sabino.
Dilema
O ataque de 7 de outubro ainda está recente na memória dos israelenses, o que pode dificultar a formação de uma coalizão com os partidos árabes.
Uma eventual negociação malsucedida, seguida da convocação de novas eleições, também poderia desgastar a oposição.
Com isso, perderiam parte da força popular.
Os partidos árabes conquistaram uma vitória inequívoca nas urnas.
O desafio, agora, é conseguir transformar o resultado eleitoral em influência efetiva na formação do próximo governo.
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