Luto e eleição marcam três anos do 7 de Outubro em Israel
Igor Sabino relata clima de celebração da vida e cobrança por respostas sobre as falhas de segurança
Israel rememora nesta quarta-feira os três anos do massacre de 7 de outubro de 2023.
Naquela data, terroristas do Hamas romperam a barreira de segurança que separa Gaza do território israelense.
O ataque deixou mais de 1.200 mortos, além de cerca de 250 pessoas sequestradas.
As reflexões e cobranças
Igor Sabino, diretor de conteúdo da StandWithUs, está em Israel e traz um relato sobre o sentimento do povo israelense.
Ele conta que a população celebra a vida, mas, ao mesmo tempo, cobra do governo respostas sobre as falhas de segurança que permitiram o massacre.
"Esta é a primeira vez, em anos, que não há mais reféns israelenses na Faixa de Gaza. Na ruas, o clima é de que viver a vida cotidiana é a maior “vingança” ao terrorismo do Hamas. Ao mesmo tempo, a sociedade continua buscando entender o que aconteceu naquele dia e cobrando do governo respostas sobre as falhas que permitiram o massacre."
'Referendo'
Daqui a vinte dias, os israelenses irão às urnas para as eleições gerais.
O povo trata o pleito como um referendo sobre a atuação do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, antes e depois do massacre.
"Estamos a poucos dias da eleição e esse é um dos principais temas que têm dividido o eleitorado: muitos culpam o atual governo por ter sido incapaz de impedir o massacre. Outros, contudo, acham que com outro governo as coisas teriam sido piores", diz Sabino.
Sabino afirma que existe um sentimento de que a eleição pode não ser suficiente para formar um governo, o que poderia levar a um novo pleito em fevereiro.
"Soma-se a isso o medo de que haja uma nova guerra em breve. Hoje, inclusive, teve alertas de segurança frente a possibilidade de que o Hamas tentasse realizar um novo ataque em “comemoração” ao 7 de Outubro. Isso, contudo, não gerou grande alarde nacional. Um fato interessante é que o 7 de Outubro se tornou uma data oficial do calendário israelense, assim como outros feriados que honram datas importantes da história judaica."
Disputa
Netanyahu está no cargo desde 2022 e é novamente candidato pelo Likud.
Seu principal adversário é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel e integrante do antigo gabinete de guerra de Netanyahu.
Ele integra o partido Yashar, que aparece à frente do Likud em alguns levantamentos.
Outro rival é o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett.
O político e Yair Lapid uniram seus partidos em abril para formar a aliança Together, com Bennett na liderança.
O Parlamento israelense, o Knesset, tem 120 cadeiras, e nenhum partido consegue maioria sozinho.
Com isso, é necessário formar uma coalizão de pelo menos 61 deputados.
Os levantamentos apontam que os principais blocos podem ter dificuldade para alcançar esse número, o que pode prolongar as negociações para a formação de um novo governo após a eleição.
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