Lula usa o futebol feminino para crescer entre as mulheres
Janja vai ao evento com a camisa do Flamengo e reforça a estratégia de aproximação com o eleitorado feminino
O presidente Lula (PT) sancionou nesta segunda, 28, a Lei do Futebol Feminino.
A menos de uma semana da eleição, o petista assinou a lei que estabelece o “desenvolvimento da modalidade como uma prioridade” da política esportiva.
"É mais um passo para fortalecer o futebol das mulheres no Brasil e garantir melhores condições para quem está começando, para quem já joga profissionalmente e para quem trabalha dentro e fora de campo. A lei prevê a profissionalização gradual das competições, incentiva a igualdade de oportunidades e salarial, garante às meninas e mulheres condições equivalentes de formação, protege a gravidez e a maternidade e reforça o combate à discriminação e à violência no futebol. Também queremos cada vez mais mulheres como treinadoras, árbitras, gestoras e dirigentes. As mulheres já conquistaram muito espaço no futebol brasileiro. O que queremos é que tenham cada vez mais oportunidades, respeito e condições para ir ainda mais longe", escreveu o petista no X.
Janja de Flamengo
A assinatura ocorreu em um evento em Brasília que contou com a presença da ex-jogadora Formiga, de ex-ministros e da primeira-dama, Janja da Silva.
Janja apareceu no evento vestida com a camisa do Flamengo, clube de maior torcida do país e time para o qual torce.
A sanção da lei ocorre dias depois de Lula anunciar o fim das bets no país, medida que provocou reação de clubes brasileiros, que dependem dos contratos com casas de apostas.
Lula afirmou que as equipes deveriam buscar outras fontes de patrocínio.
"E a minha mulher... que deveria estar com a camisa do Corinthians, está do Flamengo, porque ela é Mengão, sabe? E quero dizer para vocês, companheiras mulheres, que esse negócio da gente ter acabado com as Bets não traz nenhum prejuízo para o futebol. Eu faço questão de citar, quando alguém reclama 'ah, vai prejudicar o futebol'. Eu faço questão de repetir sempre o seguinte: os melhores momentos da história do futebol brasileiro não existia BETS", afirmou Lula.
Lula e as mulheres
As duas medidas anunciadas por Lula ocorrem na reta final da eleição e têm um ponto em comum: o eleitorado feminino.
A Lei do Futebol Feminino oferece ao governo uma agenda de apelo direto às mulheres, justamente às vésperas da votação.
Já o discurso contra as bets permite explorar os efeitos negativos das apostas e o endividamento de famílias em razão dos jogos de azar.
Não é à toa que Lula tocou nos dois pontos durante o mesmo evento.
A estratégia ganha relevância diante da disputa pelo voto feminino, em que o petista busca ampliar sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Lula não está preocupado diretamente com o andamento da modalidade feminina.
Se assim estivesse, já teria feito mais propaganda da Copa do Mundo do ano que vem, que terá o Brasil como país-sede.
Mulheres e Bolsa Família
A Quest desta segunda, 28, já aponta o crescimento de Lula entre o público feminino.
Na simulação de segundo turno, o petista cresceu de 44%, em 21 de setembro, para 46%.
O aumento já era verificado desde 14 de setembro, quando Lula tinha 41%.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), por outro lado, manteve os mesmos 37%.
“A recuperação de terreno de Lula aconteceu de forma mais clara em 3 subgrupos: entre as mulheres. O que era um empate duas semanas atrás virou uma vantagem de +9 pp em favor de Lula”, escreveu Felipe Nunes, diretor da Quaest.
Lula também abriu vantagem sobre Flávio entre os eleitores de baixa renda.
Entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, o petista cresceu três pontos e atingiu 55% das intenções de voto.
Flávio, por outro lado, caiu de 30% para 29%.
Lula marcou 39% entre aqueles que recebem entre dois e cinco salários mínimos.
Nesse cenário, Flávio lidera com 44% das intenções de voto.
Leia mais: Lula cresce entre mulheres e eleitores de baixa renda, aponta Quaest
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