Visita de Estado de Xi começa com gesto incomum de Trump
Donald Trump deve receber Xi Jinping ao lado do avião presidencial chinês, na pista da Base Aérea de Andrews
Xi Jinping chega a Washington nesta quarta-feira (23) às 16h locais para dar início a uma visita de estado de três dias, a primeira do líder chinês aos Estados Unidos em quase uma década.
Donald Trump deve recebê-lo ao lado do avião presidencial, na pista da Base Aérea de Andrews, uma deferência extremamente rara para chefes de Estado estrangeiros e que mostra o nível de formalidade que a Casa Branca reservou ao encontro.
A agenda segue um roteiro extenso. Nesta quinta-feira (24), Trump e a primeira-dama, Melania Trump, recebem o casal chinês na Casa Branca, com cerimônia de chegada, revista de tropas e passagem de caças.
À noite, os dois países realizam um jantar de estado no Salão Leste, que deve reunir executivos de tecnologia como Tim Cook, da Apple, Jensen Huang, da Nvidia, Elon Musk, da SpaceX, e Mark Zuckerberg, da Meta.
Na sexta-feira (25), Xi e Peng retornam à Casa Branca para um chá com o casal Trump antes de uma visita conjunta aos Arquivos Nacionais, onde estão guardados os originais da Declaração de Independência e da Constituição americana.
Por trás do cerimonial, a pauta de negociações concentra os principais pontos de atrito entre as duas maiores economias do mundo. Xi deve reafirmar a reivindicação de Pequim sobre Taiwan, tema que Washington normalmente prefere evitar, enquanto Trump pretende manter os controles de exportação de tecnologia que incomodam o lado chinês, que tem o fornecimento de materiais de terras raras, essenciais para produção de chips de alta tecnologia, como trunfo.
Ainda assim, autoridades citadas pela Reuters admitem a possibilidade de acordos pontuais para reduzir tarifas em setores específicos, ampliar a cooperação contra o tráfico de drogas e retomar o diálogo entre as forças armadas dos dois países. Trump também deve cobrar a soltura de cidadãos americanos detidos na China.
A grandeza da recepção gerou desconforto dentro do próprio Partido Republicano. Em discurso no plenário do Senado nesta terça-feira (22), o senador Roger Wicker, presidente da Comissão de Forças Armadas, classificou Xi como um ditador brutal, não eleito e opressor, e disse que, se tivesse sido consultado, teria recomendado a Trump não convidar o líder chinês para uma recepção tão suntuosa.
O encontro é o primeiro presencial entre os dois desde maio último, quando Trump visitou Pequim.
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