Economist fala em 'decepção' sobre Alexandre de Moraes
"Moraes utilizou a investigação para proteger a si mesmo e a seus colegas de acusações de conduta imprópria, inclusive perseguindo auditores fiscais e fontes de jornalistas", afirmou a revista
A Economist noticiou, em matéria publicada nesta quinta-feira, 10, a 'decepção' provocada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ao estabelecer vínculo com Daniel Vorcaro, "o maior fraudador do Brasil".
"É decepcionante que um poderoso ministro do Supremo Tribunal Federal tenha qualquer tipo de vínculo com o maior fraudador do Brasil. Pior ainda é a reação do Sr. Moraes. Quando as conexões entre os dois homens vieram à tona, o íntegro presidente do tribunal, Edson Fachin, propôs a adoção de um código de ética que exigiria que os ministros declarassem rendimentos externos, entre outras medidas. O Sr. Moraes ridicularizou a ideia."
Embora adote a narrativa de que o STF "salvou a jovem democracia brasileira", a revista elenca as "questionáveis" decisões adotadas por Moraes no processo contra Bolsonaro.
"Ele derrubou contas em redes sociais — especialmente de bolsonaristas — que, segundo ele, ameaçavam o Supremo Tribunal. O 'inquérito das fake news', como foi apelidado pela imprensa brasileira, continua até hoje sob sigilo; portanto, é impossível saber quantas contas Moraes censurou ou por quê", noticiou.
"Abusos tornaram-se mais frequentes: Moraes utilizou a investigação para proteger a si mesmo e a seus colegas de acusações de conduta imprópria, inclusive perseguindo auditores fiscais e fontes de jornalistas. Moraes também ficou em situação comprometida no caso devido à acumulação dos papéis de vítima, acusador e juiz. Subordinados de Bolsonaro planejavam assassinar o ministro; ainda assim, ele supervisionou a coleta de provas contra eles e proferiu a sentença condenatória", acrescentou.
A Economist fala sobre o contrato "incomumente vago e caro" firmado entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, e do aconselhamento prestado pelo magistrado ao banqueiro, "utilizando um recurso do WhatsApp no qual as mensagens desaparecem após serem lidas".
"A frequência dessas mensagens aumentou pouco antes de o Sr. Vorcaro ser preso ao tentar fugir do país, gerando receios sobre que tipo de orientação o Sr. Moraes estava dando ao fraudador", afirmou.
A revista também recupera a tentativa de Moraes de incluir o colega André Mendonça no interminável inquérito das fake news, acusando Mendonça "de abuso de autoridade por divulgar mensagens trocadas entre ele e o Sr. Vorcaro, afirmando que o magistrado — nomeado pelo Sr. Bolsonaro — agia por motivação política e de forma deliberadamente seletiva".
"A disfunção no Judiciário está fortalecendo os aliados de Bolsonaro no Congresso, que prometem iniciar processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal após as eleições e conceder perdão ao ex-presidente. As falhas processuais do ministro Mendonça e as tentativas descaradas do ministro Moraes de se proteger também poderiam fornecer justificativa jurídica para encerrar toda a investigação sobre o Banco Master. Isso beneficiaria não apenas Moraes e alguns de seus colegas, mas também dezenas de políticos com vínculos com o fraudador", afirmou a revista.
"A maior perdedora seria a democracia brasileira", concluiu.
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