Premiê espanhol culpa quadrilhas de tráfico humano por "violação" territorial em Ceuta
O Ministério do Interior da Espanha afirmou que cerca de 50 mil pessoas entraram ilegalmente no país; autoridades de Ceuta falam em 60 mil
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, responsabilizou as quadrilhas de tráfico humano que atuam no norte da África pela "violação da integridade territorial" ocorrida em Ceuta.
"Devo definir o que aconteceu ontem como um ataque — uma violação da integridade territorial da Espanha. Ceuta é uma cidade espanhola, e os acontecimentos de ontem merecem a nossa absoluta condenação, nos termos mais veementes possíveis", disse o premiê em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 31.
"Quero dizer aos habitantes de Ceuta que toda a Espanha está ao lado deles. Toda a Espanha está ao lado deles — e, consequentemente, o Governo da Espanha está ao lado da Cidade de Ceuta — e compreendemos plenamente o estado emocional e a angústia que têm vivido nas últimas horas, particularmente desde ontem", acrescentou.
Segundo Sánchez, as quadrilhas de tráfico humano espalham uma interpretação "interesseira" da recente decisão da Suprema Corte espanhola para impulsionar a entrada de imigrantes ilegais.
"Na base das discussões que mantivemos com as autoridades marroquinas, há uma interpretação interesseira — adotada por redes de tráfico de pessoas — de uma decisão da Suprema Corte. Essa decisão confirmou um entendimento anterior do Tribunal Superior de Justiça da Andaluzia, segundo o qual os procedimentos de repatriação na fronteira não se aplicam a indivíduos que entram em nosso território por via marítima, sob o argumento de que não existe uma fronteira física — ao contrário do que ocorre na travessia de uma fronteira terrestre. Essa é a situação. Ao que parece, essa interpretação da decisão da Suprema Corte propagou-se rapidamente, nas últimas horas, pelas redes de tráfico de pessoas, desencadeando o fluxo massivo a que assistimos ontem."
Invasão de Ceuta
O Ministério do Interior da Espanha afirmou que cerca de 50 mil pessoas entraram ilegalmente no país desde o início da crise migratória em Ceuta, das quais metade retornou voluntariamente ao Marrocos.
O número é significativamente inferior ao divulgado pelo presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas.
Vivas estimou o total de marroquinos que entraram na cidade em 60 mil.
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