Douglas Ruas promete 'modelo Bukele' no Rio
A crise de segurança do Rio, contudo, não se resume ao crime organizado e passa pelo poder público
O presidente da Alerj e pré-candidato ao governo do Rio, Douglas Ruas (PL, foto), publicou um vídeo, nas redes sociais, citando o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como inspiração para combater a criminalidade no estado.
Ruas afirmou que a situação da segurança pública no Rio chegou a um nível que nem o personagem Capitão Nascimento, interpretado pelo ator Wagner Moura no filme Tropa de Elite, imaginaria.
"O crime do estado do Rio de Janeiro tomou tamanhas as proporções que até autoridades internacionais sabem que trata-se de terrorismo que as facções fazem aqui. Ainda que o Lula, aliado do Eduardo Paes se negue a confessar e continua a passar a mão na cabeça do traficante", disse na gravação.
No vídeo, o pré-candidato do PL relembra a situação de El Salvador antes da chegada de Bukele ao poder e a descrença da população na capacidade do Estado de enfrentar o crime organizado e as facções.
"El Salvador era um estado onde o crime imperava décadas. Assim como no Rio, as entranhas do poder já estavam manchadas com o crime e a corrupção. Ninguém acreditava que tinha como ser diferente. Havia um estado paralelo que controlava, mandava e regia suas próprias regras para a sociedade. Foi nesse contexto que Nayib Bukele apareceu, aplicou linha dura na segurança e os resultados vieram logo."
Ruas também listou cinco medidas que deveriam ser adotadas contra as facções criminosas no Rio de Janeiro.
"Em apenas 3 anos, El Salvador deixou de ser um dos países mais violentos do mundo para se tornar uma referência de segurança pública. Uma taxa de violência 24 vezes menor que a do Rio, porque ele adotou cinco pontos simples: ocupação militar de áreas dominadas pelo crime, bloqueio financeiro das facções, controle e rígido das prisões, investimento em tecnologia e armamento, programas sociais para jovens. Bukele conseguiu lá e nós conseguiremos fazer aqui. Eu tenho coragem e disposição para fazer. O Rio de Janeiro é o lugar mais lindo do mundo. Agora imagina aqui sem violência", finalizou.
Milícias e Alerj
Ruas deixa de mencionar, porém, que a crise da segurança pública no Rio também está ligada ao próprio poder público.
O Rio é o estado com o maior número de ex-chefes do Executivo que já passaram pelo sistema prisional.
Praticamente todos os governadores eleitos entre 1998 e 2020 enfrentaram problemas com a Justiça.
O próprio antecessor de Ruas na Alerj, o deputado estadual Rodrigo Bacellar, foi preso por vazamento de informações de operação contra o deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho (CV).
Em julgamento este ano, o ministro Gilmar Mendes lamentou as relações entre criminosos e políticos.
"O presidente da Assembleia [Legislativa] está preso. Eu conversava com o diretor da Polícia Federal, que dizia que 32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebiam mesada do jogo do bicho. Deus tenha piedade do Rio de Janeiro". Isso não pode ser causa de decidir, mas é preciso ter isso como motivo", afirmou Gilmar.
Além disso, o Rio de Janeiro convive há décadas com a expansão das milícias, que exercem forte influência sobre áreas da Zona Oeste da capital e de outros municípios da Região Metropolitana.
Caso seja eleito governador, Ruas terá pela frente um desafio mais complexo do que o enfrentado por Bukele em El Salvador.
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Comentários (1)
Joaquim Duran
2026-07-23 17:56:01Tá tudo dominado!