O futebol ainda pertence a quem quer a bola
A Espanha provou que o controle da posse é a melhor forma de você se defender
A vitória da Espanha sobre a Argentina provou que o futebol ainda pertence a quem controla o jogo.
Apesar do placar simples de 1 a 0, a equipe comandada por Luis de la Fuente dominou as ações do jogo do início ao fim.
Foram 11 chutes a gol contra nenhum da Argentina.
A posse de bola terminou em 68% para os espanhóis, que também trocaram quase o dobro de passes: 803 contra 445.
Os únicos fundamentos em que a Argentina superou a Espanha foram o número de faltas e impedimentos.
Defender com a bola
A Espanha de Luis de la Fuente é herdeira da ideia de jogo consolidada por Pep Guardiola entre 2008 e 2012.
A equipe mantém como princípio o controle da posse de bola, marca registrada do chamado tiki-taka: circulação constante, passes curtos e movimentação para impedir transições rápidas do adversário.
Foi dessa forma que a Espanha conquistou seu primeiro título mundial, em 2010.
Dezesseis anos depois, a essência permanece.
Se há espaço, a equipe acelera. Se não há, a bola circula de pé em pé até surgir uma oportunidade.
Por mais óbvio que pareça, o adversário precisa ter a bola para fazer gol.
E a Espanha não concede fácil o objeto mais valioso do futebol.
Meio de campo
A outra lição dessa Copa do Mundo foi a importância de um time ter meias técnicos e capazes de controlar o ritmo da partida.
Em uma era marcada pelo vigor físico, a Espanha venceu pela qualidade.
Rodri, Pedri, Fabían Ruíz e Gavi são meias que se destacam pela inteligência, pelo passe e pela capacidade de acelerar ou cadenciar o jogo conforme a necessidade.
Mas estão longe de serem os famosos 'box-to-box', aqueles que percorrem o campo todo dando piques longos.
A Argentina também chegou à final apoiada em um meio-campo de alto nível técnico, o que reforça a importância desse setor no futebol atual.
Lição para Tuchel e Ancelotti
As duas seleções finalistas deixaram uma mensagem importante para Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, e para Thomas Tuchel, da Inglaterra.
Querer a bola é querer controlar o jogo.
Defender-se o tempo inteiro e abdicar de ter a bola é querer perder o jogo.
A posse, quando utilizada com propósito, não é apenas um recurso ofensivo.
É também uma forma de defender, reduzir riscos e impor o próprio ritmo ao adversário.
O futebol dá recados.
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