Flavinho paz e amor ainda não convence brasileiros
Pesquisa Genial/Quaest mostra que mais pessoas acham que o senador não é mais moderado que os demais membros da família
Ao lançar sua pré-candidatura em dezembro, Flávio Bolsonaro (imagem) encarou a missão de se mostrar como uma versão mais moderada de seu pai, Jair Bolsonaro, e de seus irmãos.
Naquele mesmo mês, Flávio deu uma entrevista para o jornal Folha de S. Paulo. "Tenho os mesmos princípios, tenho o sangue Bolsonaro, mas nenhum ser humano é igual ao outro. Em vários momentos, ele tinha um entendimento, eu tinha outro. Ele não quis tomar vacina [contra a Covid], eu tomei duas doses. Muita gente pedia: 'Bolsonaro, você tem que ser mais moderado'. Sou eu. Bolsonaro mais moderado", afirmou.
Sua esposa, Fernanda Bolsonaro, apareceu em um vídeo para dizer ao marido: "Não é à toa que você é um Bolsonaro moderado". Em seguida, olhando para a câmera, ela afirma: "Eu reeduquei ele".
Quase sete meses depois, a estratégia de marketing ainda não deu resultados.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta, 15, mostra que uma fatia maior dos brasileiros acredita que Flávio não é mais moderado que a família Bolsonaro.
Em abril deste ano, essa era a opinião de 45% dos entrevistados. Agora, 54% pensam assim.
Aqueles que acham que Flávio é mais moderado caíram de 38% para 29%.
Nesses últimos quatro meses, foram divulgados o vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, alegando ter sido maltratada pelo enteado ao telefone, a foto da visita ao presidente americano Donald Trump, na Casa Branca, e o áudio em que Flávio pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master.
Se no final do ano passado a maior parte dos brasileiros dizia ter mais medo de Lula do que da volta dos Bolsonaro, hoje o quadro se inverteu.
Segundo a Genial/Quaest, 46% temem a volta dos Bolsonaro e 38%, mais um mandato para Lula.
Outro ponto interessante levantado pela Quaest é que, na briga pública entre Flávio Bolsonaro e Michelle, 42% tendem a concordar com a ex-primeira-dama, e somente 18% com o filho de Jair Bolsonaro.
Flávio ainda tem publicado lives nas redes sociais em tom mais agressivo, imitando os trejeitos de seu pai.
"O problema para ele é que, para ganhar do Lula, precisa ser bem anti-Lula. E, para se destacar, tem que ser mais bolsonarista que o pai. Por isso o tom mais agressivo, o que acaba tendo um efeito até engraçado", diz o estrategista eleitoral Roberto Reis.
A campanha de Flávio, então, ainda precisa decidir se vai continuar ou não tentando a moderação.
Mas o fato é que, até agora, Flávio não conseguiu vestir o personagem que foi criado no lançamento da campanha.
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