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Diários

Programa médico cubano vira alvo de Trump

Programa de médicos cubanos gera até 8 bilhões de dólares por ano. EUA tentam cortar essa receita para pressionar ainda mais o regime da ilha

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José Inácio Pilar
3 minutos de leitura 09.07.2026 10:48 comentários 0
Programa médico cubano vira alvo de Trump
Imagem: IA por José Inácio Pilar
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O governo dos Estados Unidos escolheu um alvo estratégico na sua pressão econômica sobre Cuba: o programa de exportação de médicos, uma das últimas fontes importantes de moeda estrangeira da ilha.

Estimativas apontam que o esquema gera entre 4 e 8 bilhões de dólares por ano para Havana, com o regime cubano retendo entre 75% e 95% do que os países pagam pelos serviços médicos, com o pouco restante indo para os profissionais.

Essa receita é vital para uma economia cubana que já enfrenta escassez de combustível, alimentos e energia, agravada por um bloqueio de petróleo imposto por Washington desde janeiro.

Ao mirar o programa médico, o governo americano busca cortar uma das últimas válvulas de escape financeiro do regime, somando-se a outras medidas como sanções a autoridades, restrições a remessas de cubanos no exterior e indiciamentos de membros do governo.

A estratégia já produz efeitos concretos. Guatemala, Jamaica, Guiana, Honduras, Paraguai e São Vicente e Granadinas reduziram ou encerraram acordos com Cuba nos últimos meses, motivados também pelo risco de sanções e perda de vistos americanos.

O Brasil já sentiu o peso dessa pressão. Em agosto de 2025, o governo americano revogou vistos de dois ex-servidores do Ministério da Saúde acusados de ajudar a operacionalizar, via Organização Pan-Americana da Saúde, a cooperação com médicos cubanos dentro do programa Mais Médicos, vigente entre 2013 e 2018.

Naquele modelo, o dinheiro pago pelo governo brasileiro não ia diretamente aos profissionais: passava pela Opas, que repassava a Cuba a maior parte do valor, mecanismo semelhante ao que hoje sustenta as receitas bilionárias do regime cubano em outros países.

Embora o programa tenha sido reformulado em 2023 com prioridade a médicos brasileiros, a cooperação com Cuba nesse modelo específico já havia sido encerrada desde 2018, o que não impediu que o capítulo voltasse a pesar nas relações econômicas e diplomáticas entre Brasília e Washington após a volta de Trump ao governo americano.

Alguns países, como Bahamas, tentam uma solução intermediária: pagar os médicos diretamente, sem repassar dinheiro ao governo cubano, modelo que Havana rejeita.

Mas a equação econômica nem sempre favorece o rompimento. Na região italiana da Calábria, uma das mais pobres do país, o cálculo é que, sem os médicos cubanos, os hospitais públicos enfrentariam fechamento de departamentos inteiros por falta de profissionais locais, já que salários mais baixos e a defasagem em relação ao norte industrializado afastam médicos italianos da região.

Ali, mais de 200 profissionais cubanos sustentam o atendimento em hospitais que viram filas de até 12 horas caírem para menos de uma hora. Para o governo regional, o custo político de desagradar Washington é menor do que o custo econômico e social de perder essa mão de obra.

O episódio expõe o dilema por trás da disputa, já que para os EUA, cortar essa receita é uma forma de pressionar financeiramente ainda mais o regime cubano, mas que para os governos que dependem dos médicos, a decisão passa por uma conta de custo-benefício muito mais imediata, ligada à saúde pública e ao orçamento local.

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