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A fatura chegou para a Rússia

Como a economia de guerra da Rússia, criada para sustentar a invasão da Ucrânia, começou a perder força e o que esperar a seguir

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José Inácio Pilar
4 minutos de leitura 25.06.2026 10:49 comentários 2
A fatura chegou para a Rússia
IA por José Inácio Pilar
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Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, muitos economistas e instituições internacionais previram um colapso rápido. As sanções, os ativos congelados e o isolamento financeiro forçariam Putin a escolher entre a guerra e a estabilidade. A previsão não se confirmou, ao menos no curto prazo. Na verdade, as sanções apenas adiaram a conta.

Por dois anos, a Rússia surpreendeu o mundo. Gastos militares sem precedentes, exportações de petróleo reorientadas para China e Índia e uma política fiscal agressiva sustentaram crescimento de 4,3% tanto em 2023 quanto em 2024, mais do que boa parte dos países ricos do Ocidente, mesmo sob sanções. Putin usou os números como prova de invulnerabilidade. Eram, na verdade, a foto de um corredor que corre além de suas forças.

Em 2025, o ritmo caiu. O PIB cresceu apenas 1%, queda brusca em relação ao ano anterior. O governo admitiu que a desaceleração se deve à política monetária restritiva adotada para conter a inflação, que fechou o ano em 5,6%, abaixo da previsão oficial de 6,8%.

Em 2026, a situação piorou: o PIB contraiu 0,3% no primeiro trimestre, o primeiro declínio desde 2023, impulsionado por juros elevados, sanções persistentes e um rublo forte que encarece as exportações. Diante disso, o governo cortou sua previsão de crescimento para 2026 para apenas 0,4%, reconhecendo publicamente a fragilidade de um modelo econômico construído sobre gastos de guerra.

A divisão interna da economia da Rússia é cada vez mais visível. As indústrias ligadas ao esforço de guerra cresceram 20% em 2025, enquanto todos os demais ramos da manufatura avançaram apenas 0,4%. Fábricas de armas operam em ritmo máximo.

Fábricas de tratores, cimento e móveis reduzem turnos ou fecham. Os gastos com defesa atingiram cerca de 7,3% do PIB em 2025, o maior patamar desde a era soviética, e o orçamento militar oficial para 2026 não prevê recuo significativo.

Esse esforço tem custo humano direto. A presidente do Banco Central russo, Elvira Nabiullina, declarou que o país enfrenta uma escassez de mão de obra sem precedentes em sua história moderna, com desemprego na mínima histórica de 2%. Fábricas civis perdem trabalhadores para as militares, que pagam mais. O governo projeta que o mercado de trabalho precisará de 3,1 milhões de trabalhadores adicionais até 2030.

As sanções, que durante anos foram contornadas pela chamada "frota-sombra" de navios-tanque, apertaram. O desconto imposto ao petróleo russo chegou a mais de 20 dólares por barril no início de 2026, derrubando o preço médio do Urals abaixo de 40 dólares, o que deve ampliar o déficit orçamentário estimado em cerca de 1,5% do PIB. As receitas de petróleo e gás em 2025 ficaram em cerca de 100 bilhões de dólares, o menor valor desde 2020 e 22% abaixo do ano anterior.

Para tapar o rombo, o Kremlin recorreu à população. O IVA subiu de 20% para 22% em janeiro de 2026, e mais empresas foram incluídas na base tributária. Quase 69% das pequenas e médias empresas registraram queda de receita em 2026. A reserva soberana do país, que valia 6,5% do PIB antes da guerra, encolheu para apenas 1,8% do PIB ao final de 2025, menos do que o próprio déficit federal projetado para o ano.

Uma análise do governo sueco baseada em imagens noturnas de satélite sugere que a economia russa, na prática, encolheu 8% entre 2020 e 2024, enquanto Moscou afirma oficialmente crescimento de 13% no mesmo período. Os números oficiais, em outras palavras, podem ser tão confiáveis quanto os boletins de vitória do front.

Putin tem declarado que a Rússia está preparada para lutar até obter o controle das quatro regiões ucranianas que afirma ter anexado. Mas a matemática mostra que enquanto a guerra continuar e as sanções limitarem o financiamento externo, o governo russo enfrentará escolhas cada vez mais difíceis.

A fatura que o Kremlin tentou empurrar para o futuro chegou e está sendo cobrada dos russos comuns, na forma de impostos mais altos e uma economia que parou de crescer. Somada aos ataques ucranianos cada vez mais frequentes em território russo, essa pressão tende a aumentar o custo político da guerra para Putin.

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José Inácio Pilar

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Comentários (2)

Aldo

2026-07-01 21:49:16

Que lhe chegue a derrota ou a morte.


Joaquim Duran

2026-07-01 16:23:17

Putin que o pariu


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Aldo

2026-07-01 21:49:16

Que lhe chegue a derrota ou a morte.


Joaquim Duran

2026-07-01 16:23:17

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