Trump trata memorando de entendimento como “rendição incondicional” do Irã
Os quatorze principais tópicos do acordo, divulgados pela imprensa internacional, indicam um cenário diferente do triunfo apresentado por Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quinta-feira, 18, em entrevista ao Axios Show, do portal Axios, considerar o memorando de entendimento assinado com o Irã uma “rendição incondicional” do regime do aiatolá Mojtaba Khamenei.
O republicano vinha cobrando uma "rendição incondicional" de Teerã desde o início da guerra, em fevereiro.
Mas, com o avançar do tempo e da perda de apoio à ofensiva militar nos EUA, o governo americano acabou chegando a um memorando de entendimento com o Irã, no qual os dois países se comprometem a buscar um consenso para um acordo final em 60 dias.
Eis o que disse Trump ao jornalista Marc Caputo, do Axios:
"[Donald Trump] Quem mais poderia ter feito um bloqueio como aquele? Eu fiz um bloqueio naval onde nenhum navio conseguiu passar. Alguns tentaram. Eles não conseguiram, sabe, não durou muito tempo.
[Marc Caputo] E certamente trouxe o Irã para a mesa de negociações mais do que antes. No entanto, no início do conflito, você havia dito que só queria a 'rendição incondicional' e isso não parece uma rendição incondicional...
[Donald Trump] Bem, provavelmente é uma rendição incondicional.
[Marc Caputo] É?
[Donald Trump] Acho que sim."
A derrota triunfal de Trump
Como mostrou Crusoé na edição desta semana, Trump assinou o texto de um acordo no Palácio de Versalhes, em Paris, durante um jantar com o presidente francês, Emmanuel Macron, após quatro meses de guerra.
Os quatorze principais tópicos do acordo, divulgados pela imprensa internacional, indicam um cenário diferente do triunfo apresentado por Trump.
O Irã saiu da guerra com a estrutura do regime preservada, obteve concessões inimagináveis por parte dos Estados Unidos no campo econômico e assumiu compromissos semelhantes aos que já vinha discutindo antes do início do conflito.
Na prática e na teoria, o Irã saiu fortalecido da guerra iniciada em 28 de fevereiro.
De acordo com os termos do acordo, os americanos retirarão suas forças militares da região e suspenderão o bloqueio naval.
Além disso, o regime iraniano segue de pé mesmo após a morte de importantes lideranças, inclusive a mais conhecida delas, o aiatolá Ali Khamenei.
"Sem dúvida, o Irã saiu fortalecido. O Irã ganhou essa guerra, o que é difícil para as pessoas admitirem, principalmente aqui no Ocidente. Os objetivos políticos que o presidente Trump anunciou no começo da ação militar não foram concluídos. Muito pelo contrário. O regime não só continua no poder, como saiu fortalecido", afirma Gunther Rudzit, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios do Oriente Médio da ESPM.
A imagem dos Estados Unidos como grande potência estabilizadora global também saiu desgastada.
Os países do Golfo perceberam que a estrutura militar americana não é infalível após sofrerem impactos diretos e indiretos dos ataques iranianos ao longo do conflito.
Leia mais em Crusoé.
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