O Irã venceu a guerra?
Professor de Relações Internacionais vê vitória iraniana após sobrevivência do regime e avalia cenário dos Estados Unidos
O professor Gunther Rudzit, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios do Oriente Médio da ESPM, avalia que o Irã chega às conversas em posição de vantagem.
Segundo ele, o país “venceu” o conflito ao conseguir manter o regime no poder após cerca de um mês e meio de ataques.
Rudzit afirma ainda que os remanescentes do regime tendem a adotar uma postura dura nas negociações.
Leia a entrevista.
Qual a expectativa do sr. para essas negociações no Paquistão? Os EUA estão em posição de vantagem ou desvantagem?
A gente tem um problema. De um lado, a delegação americana, liderada pelo [vice-presidente] JD Vance, não tem experiência nenhuma. Steve Witkoff, enviado especial do Trump, não tem experiência. No máximo, o genro dele, Jared Kushner, tem uma certa experiência. Portanto, é uma delegação pouco experiente.
Do outro lado, se tem um regime iraniano - hoje comandado pela Guarda Revolucionária Islâmica - mais linha dura. Não vai ceder facilmente. O Irã está, como diria o Trump, com uma mão muito forte. Tem cartas muito boas. Então, eu vejo que, provavelmente, o Irã vai sair ganhando nessa negociação.
A que o senhor atribui essa “vitória” do Irã?
O Irã ganhou porque o regime continua no poder. A estratégia iraniana deu certo. A sobrevivência foi o suficiente para conseguir trazer o governo americano para mesa.
Apesar da retórica de Trump, quem veio para a mesa de negociação foram os Estados Unidos. Tudo bem que o Irã teve que ceder a negociação por pressão chinesa. Mas, nesse momento, o Irã sobreviveu a um ataque da maior potência do mundo.
Como fica a imagem do governo Trump e dos Estados Unidos?
A imagem dos Estados Unidos, do grande poder estabilizador, se desfez. Globalmente, também, saiu bastante prejudicada.
Primeiro, não ganhou do Irã. Segundo, não deu nenhuma justificativa para essa ação como George W. Bush tentou dar em 2003. Para mim, os Estados Unidos saíram perdendo.
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