Relação com Brasil "não vai melhorar até eleições", diz cônsul israelense
Rafael Erdreich afirma que guerra está "no minuto 90" e operação militar serve como "muro" contra ameaça iraniana ao Ocidente
Em meio à guerra no Irã, o Cônsul-Geral de Israel em São Paulo, Rafael Erdreich (foto), afirmou que as relações diplomáticas com o Brasil estão atualmente "no nível mais baixo possível".
Em conversa exclusiva com jornalistas, Erdreich destacou a parceria histórica entre os dois países. Mesmo assim, ele avalia que o relacionamento com o governo Lula não deve melhorar até as eleições presidenciais de outubro.
"Recebemos condenações do governo brasileiro desde o ataque do Hamas. Uma surpresa se tratando de um país amigo. Quando fomos atacados do ato mais cruel possível, muito rápido depois começamos a receber condenações. Começou imediatamente. Recebemos com surpresa as manifestações de Lula. Isso começou uma tendência de diminuir os níveis das relações diplomáticas entre Israel e Brasil. Nós temos uma história de amizade, de vigilância antes da criação do Estado de Israel. O Brasil faz parte da criação do Estado de Israel. Acho que hoje, apesar de tudo, as relações estão em nível mais baixo. Mas mantemos relações com o governo brasileiro. Esperamos melhorar e sabemos que não vai melhorar muito até as eleições."
No ano passado, o Brasil não aprovou a nomeação do novo embaixador israelense. Em resposta o Ministério das Relações Exteriores anunciou que conduziria as relações em nível inferior diplomaticamente.
Além disso, Lula retirou oficialmente o Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), grupo que coordena esforços globais de educação e combate ao antissemitismo.
Guerra no Irã
Sobre o conflito no Irã, Erdreich explicou que a situação está no “minuto 90 do jogo”.
O Cônsul, no entanto, não fez uma previsão de quando a guerra vai acabar.
"Agora é o minuto 90 do jogo. Porque, em vários meses, eles vão esconder essa produção dos mísseis, da produção de armas nucleares em lugares onde não podíamos fazer nada. Será uma ameaça existencial, não só para Israel, mas os Estados Unidos foi o país que sofreu primeiro. Eles sequestraram os americanos no Irã. Essa guerra, segundo os EUA, foi planejada para quatro a seis semanas. Entramos na terceira semana. Não posso dizer se ficará mais longo ou menos."
Segundo o diplomata, um dos objetivos políticos e religiosos do Irã é aumentar sua influência xiita globalmente.
"Para alcançar esses objetivos, Irã estava se utilizando de quatro mecanismos: estabelecer os proxys com exércitos na região, desenvolver projetos nucleares e o projeto dos mísseis balísticos e os drones que estamos olhando nessa operação. Outro objetivo interno é continuar o regime radical islâmico do povo iraniano através das milícias Basij e também da Guarda Revolucionária", disse Erdreich.
"A guerra não acabará necessariamente com a queda do regime. Estou falando como um comentarista, não com um representante. O resultado é a destruição do arsenal bélico e nuclear", acrescentou.
Civilização ocidental
Erdreich explica que a operação israelense busca remover a ameaça iraniana de ataques a Israel e proteger o Ocidente.
Segundo o Cônsul, Israel e os Estados Unidos são um verdadeiro "muro" contra o regime.
"O objetivo da operação é remover a ameaça de ataque a Israel. Destruir as capacidades nucleares, os lançadores, os centros de produção de equipamentos. Também é apoiar o povo iraniano sair da opressão onde eles estão abaixo o regime."
“Israel e EUA atuam como um muro para defender valores comuns, diminuindo uma ameaça global em múltiplos níveis. A maior parte dos brasileiros está favorável a essa operação”, disse.
Mojtaba Khamenei
Na conversa, o diplomata afirmou que o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, "não é melhor do que o pai".
O ex-aiatolá Ali Khamenei foi eliminado, em 28 de fevereiro, após um ataque israelense em coordenação com os americanos.
Mojataba não aparece em público desde então.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o filho de Khamenei está "gravemente ferido".
"O filho não é melhor que o pai. Ele é a pessoa por trás que usa os métodos para destruir o Estado de Israel. Não vejo diferença ente ele e o seu pai. A mesma ideologia e, a mesma vontade e o mesmo perigo. Imagino que ele esteja ferido, caso contrário teríamos o visto na televisão", afirma Erdreich.
O regime iraniano, alerta Erdreich, não acabaria com a morte de Mojtaba.
"Esse regime tem líderes que estão dispostos de destruir Irã e todo o mundo", afirma o Cônsul.
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