Vai ter Copa do Mundo no México, Bad Bunny?
Não se constrói orgulho regional a partir do fracasso de várias nações em governarem a si próprias
Brasileiros fizeram um esforço digno de nota para gostar do reggaeton de Bad Bunny.
A musiquinha é enjoativa, ruim de dançar e não tem nada a ver com o gosto brasileiro. É uma modinha que não vai durar muito.
A onda cresceu depois que Bad Bunny apareceu no intervalo do Super Bowl, a final do futebol americano, fazendo uma ode aos países latino-americanos, listando quase todos eles.
Mas não se constrói orgulho regional a partir do fracasso de várias nações em governarem a si próprias.
Se existem milhões de latinos vivendo nos Estados Unidos, é porque eles fugiram da violência, da pobreza ou da falta de perspectiva em seus respectivos países.
Ao sul do Rio Grande, foram poucas as repúblicas capazes de manter a ordem, defender os direitos individuais e permitir o desenvolvimento econômico.
O maior exemplo desse fracasso hoje está no México, onde o Cartel Jalisco Nova Geração desatou uma onda de violência, explodindo postos de gasolina, incendiando ônibus, bloqueando estradas e atirando a esmo.
A guerra interna teve início com um confronto que levou à morte de Nemesio Oseguera Cervantes, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), conhecido como El Mencho.
A ação mexicana é apoiada pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos, que tem reclamado da entrada de drogas pela fronteira mexicana e forneceu informações de inteligência para os seus vizinhos.
Claro, não vai demorar para que alguns coloquem a culpa do caos atual no México nos americanos.
Dá vergonha alheia ver que um país rico como o México só combata o crime organizado por pressão externa.
Os mexicanos, assim como os cariocas, não querem viver sob o mando do crime organizado.
E a origem do problema é a mesma: a corrupção na polícia e nas autoridades governamentais impede um combate efetivo ao crime, seja em Jalisco ou no Complexo da Maré.
A falta de vontade dos governantes também pesa. O ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, guru da atual presidente Claudia Sheinbaum, prometia combater o crime "não com balas, mas com abraços". Em síntese, ele não queria fazer nada.
Bad Bunny pode conquistar o coração de milhões de latinos colocando-se como o antagonista de um presidente americano truculento como Donald Trump.
Um inimigo em comum pode ajudar a unir povos distintos.
Mas basta a realidade bater à porta, como no México de agora, para entender que não dá para passar a vida toda culpando os outros pelos próprios fracassos.
Vai ter Copa do Mundo da Fifa no México em junho deste ano? Sinceramente, não dá para saber.
Mas nos Estados Unidos e no Canadá, com certeza vai rolar. Pode comprar os ingressos (se você tiver visto, claro).
Leia o artigo de Dennys Xavier em Crusoé: Temos feito por merecer?
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