Por que Maduro pode fugir para Turquia
Relações pessoais, comerciais e políticas ligam o ditador venezuelano ao autocrata turco
Em meio aos avisos e pressão dos Estados Unidos, o futuro do ditador Nicolás Maduro permanece incerto.
O governo Trump classificou o autocrata venezuelano como chefe do Cartel de Los Soles e ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões de dólares por informações que levem à sua captura.
Caso decida e consiga fugir, há dois possíveis destinos: Rússia e Turquia.
Em Moscou, Putin já abriga o ditador deposto da Síria, Bashar Assad, mantido longe dos holofotes desde dezembro.
Amizade com Erdogan
A relação de Maduro com o autocrata turco Recep Tayyip Erdogan é antiga.
Erdogan foi um dos poucos líderes estrangeiros a telefonar para o ditador após a fraude eleitoral de 2024.
No ano anterior, o venezuelano viajou a Ancara para a posse de Erdogan a quem já chamou de "irmão".
"Eles tem uma relação de longa data entre autocratas de níveis diferentes. Maduro visitou a Turquia e mantém relações diplomáticas com Erdogan", afirma José Vicente Carrasquero, analista venezuelano de política internacional.
Além disso, autoridades americanas acusam Maduro de manter contas bancárias na Turquia, o que reforça o elo entre os regimes.
Ouro e contas bancárias
Apesar das sanções internacionais, a Venezuela mantém trocas comerciais com a Turquia, que se tornou um dos principais compradores de ouro venezuelano.
Os EUA afirmam que parte desse ouro, supostamente enviado à Turquia, acabou sendo direcionado ao Irã.
Erdogan também mantém boa relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que facilitaria uma possível negociação.
Para Erdogan, seria mais uma chance de se projetar como peça-chave no tabuleiro internacional.
Ele já sediou negociações de paz entre Ucrânia e Rússia.
Com isso, poderia tentar recuperar o acesso ao programa dos caças F-35.
Diplomacia com Trump
No último mês, o líder turco foi recebido por Trump no Salão Oval da Casa Branca.
Trump pediu para que Erdogan interrompesse a compra de petróleo da Rússia como forma de pressionar a ditadura de Putin pelo fim da guerra.
O presidente americano também protagonizou um momento constrangedor ao alegar que foi vítima de uma fraude eleitoral nas eleições de 2020, quando perdeu para Joe Biden.
Ele usou Erdogan como exemplo ao dizer que o presidente turco sabe sobre “eleição manipulada melhor do que ninguém”.
Autocratas conectados
Nicolás Maduro, herdeiro do chavismo, comanda ilegitimamente a Venezuela desde 2013.
Já Erdogan está no poder desde 2003, sendo acusado de fraudes eleitorais e perseguição de opositores.
Ele já abrigou altos funcionários do grupo terrorista Hamas a fixarem residência em seu país.
Um asilo concedido ao ditador chavista o tiraria do centro das atenções.
Todos esses fatores unem Maduro a Erdogan.
Resta saber se Erdogan estará disposto a acolher em seu território um ditador condenado internacionalmente, e se Maduro terá condições de deixar a Venezuela antes que o cerco político, militar e diplomático se feche de vez.
Leia mais: O braço violento de Maduro na América Latina
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