A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou nesta semana uma reunião de emergência para discutir o uso de vacinas experimentais contra o surto de ebola que avança na República Democrática do Congo (RDC). Até agora, 131 pessoas morreram em decorrência da doença.
Este já é o 17º surto no país. O mais recente, em 2018, durou dois anos e matou 2,3 mil pessoas. Desta vez, a doença demorou semanas para ser detectada devido à falta de testes disponíveis na região.
O problema com as vacinas
Não existe vacina aprovada contra a cepa Bundibugyo, atualmente em circulação. Na reunião desta terça, a OMS discutiu a possibilidade de usar imunizantes desenvolvidos para outras cepas do vírus, mesmo com eficácia reduzida contra a variante atual.
O diretor da Coalizão para Inovação em Preparação para Epidemias (CEPI), Richard Hatchett, afirmou que será necessário acelerar o desenvolvimento de vacinas que ainda estão em fase de estudo.
Em Genebra, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, declarou preocupação com a escala e a velocidade do contágio, citando o intenso fluxo de pessoas na região como um fator agravante.
Como o vírus age e se espalha
O vírus Ebola destrói o sistema imunológico e provoca febre hemorrágica. O contágio ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou com roupas contaminadas.
O surto atual foi detectado com atraso devido à escassez de testes na região afetada, o que dificultou o isolamento precoce dos casos e acelerou a disseminação do vírus.
Impacto além das fronteiras
Os efeitos do surto já extrapolam o Congo. Países vizinhos, como Ruanda, fecharam postos de fronteira para tentar conter o avanço da doença. A medida afeta diretamente populações que dependem do trabalho do outro lado da fronteira para sobreviver.
Os Estados Unidos impuseram restrições de entrada a pessoas vindas da região. Um missionário americano que testou positivo para ebola será transportado do Congo em isolamento, em avião-ambulância, para um hospital na Alemanha especializado no tratamento de febres hemorrágicas. A unidade conta com uma ala de isolamento para conter a transmissão.
Na Itália, as autoridades monitoram a situação e informaram que nenhum caso foi detectado no país até o momento.




