Uma cidade com cinco lojas e pouco mais de cinco mil moradores nos anos 1950. Tão distante de tudo que os próprios brasileiros a apelidavam de “Sibéria do Nordeste“. Esse era o retrato de Imperatriz, cidade no sudoeste do Maranhão, antes de uma rodovia mudar completamente o seu destino.
Hoje, o município tem quase 273 mil habitantes e funciona como ponto de referência econômica para uma fatia significativa do Norte e Nordeste do país.
Uma rodovia que mudou a rotina da cidade
A grande mudança em Imperatriz aconteceu em 1958, quando as obras da Rodovia Belém-Brasília chegaram à região. A estrada integrava o plano de metas de Juscelino Kubitschek e, ao conectar o interior do Maranhão aos principais centros do país, abriu um leque de oportunidades que só se expandiu cada vez mais.
Em menos de duas décadas, a cidade já recebia levas de migrantes vindos de Pernambuco, Ceará, Piauí, Paraíba, Goiás e Minas Gerais. Cada grupo trouxe consigo hábitos, sotaque e cultura, formando uma identidade local que não se encaixa em nenhum rótulo regional.
De ciclo em ciclo
A economia de Imperatriz não cresceu de uma vez só. Ela se reinventou várias vezes ao longo do século XX. O arroz dominou os anos 1950, seguido pela madeira na década seguinte. Nos anos 1980, foi a vez do ouro atrair garimpeiros para a região. Depois vieram a pecuária e, mais recentemente, o agronegócio de grãos e a celulose.
Cada fase deixou marcas na estrutura da cidade. O resultado acumulado é um município que hoje atende como polo de serviços e comércio para o sudoeste maranhense, o norte do Tocantins e o leste do Pará.
Entre o cerrado e a Amazônia
A posição geográfica de Imperatriz é um dos seus maiores ativos. Localizada na transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica, às margens do Rio Tocantins, a cidade tem um cenário natural que os moradores transformaram em estilo de vida.
No verão maranhense, entre junho e setembro, o rio baixa e revela praias fluviais que viram palco de shows, esportes e gastronomia. A Praia do Cacau é a mais conhecida, com areia clara emergindo no meio da água. Durante o resto do ano, o calçadão da Beira-Rio mantém o movimento com bares, ciclistas e quem vai só para ver o rio passar.
A cerca de 230 quilômetros, a Chapada das Mesas oferece cachoeiras como a Pedra Caída e as Três Marias. Imperatriz é a cidade mais bem estruturada para servir de base nessa visita.
Infraestrutura que sustenta a região
A cidade abriga campi da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão, além de uma rede de faculdades privadas. Conta também com hospitais regionais e o Aeroporto Prefeito Renato Moreira, com conexões para São Luís, Brasília e Belém.




