Pesquisadores associaram o hábito de consumir bebidas muito quentes com um risco elevado de câncer de esôfago.
Publicado no British Journal of Cancer, o estudo analisou dados do UK Biobank, envolvendo cerca de 455 mil participantes ao longo de 11 anos. Foram registrados 710 casos de adenocarcinoma e 242 de carcinoma de células escamosas.
O destaque é que a ingestão de líquidos em altas temperaturas, como chás e cafés está ligada a um aumento significativo do risco de carcinoma de células escamosas.
Efeito térmico e danos ao esôfago
Líquidos quentes causam lesões repetidas na mucosa esofágica, provocando inflamação crônica. Este ambiente favorece mutações celulares que, ao longo do tempo, podem resultar em câncer.
A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à OMS, já classificou bebidas acima de 65°C como “provavelmente carcinogênicas”, reiterando a necessidade de cautela com a temperatura de consumo.
Consumo cultural e riscos
A pesquisa destaca tendências globais, com países como o Brasil, Irã e regiões da China, onde o consumo de bebidas quentes é comum, apresentando maior incidência de câncer de esôfago.
No Brasil, o chimarrão, bebida muito apreciada principalmente nos estados de Mato Grosso e Rio Grande do Sul, é frequentemente consumido em temperaturas superiores a 70ºC, elevando o risco associado.
Para minimizar riscos, recomenda-se esperar que as bebidas esfriem para menos de 65°C. Adotar pequenas medidas, como aguardar alguns minutos após o preparo ou consumir doses menores, pode fazer uma diferença essencial na saúde esofágica.




