Oleksiy, oficial de infantaria ucraniano de 37 anos, passou 343 dias consecutivos lutando numa zona florestal do leste da região de Zaporíjia. A missão prevista para durar alguns meses se prolongou por quase um ano, segundo reportagem da CNN Internacional.
A decisão de permanecer foi voluntária. Contudo, ela não reflete o heroísmo isolado: reflete a grave escassez de soldados que o exército ucraniano enfrenta após mais de quatro anos de guerra contra as forças russas numericamente superiores.
Conhecido pelo nome de guerra “Botanik”, Oleksiy formou-se em biologia pela Universidade Nacional Karazin de Kharkiv antes de integrar as forças armadas após a invasão russa de 2022. Como a maioria da sua unidade, ele era civil antes da guerra.
Por que ele não voltou para casa
“A minha companhia está subdimensionada, tal como todas as outras, e dos que cá estão cerca de metade tem mais de 50 anos”, explicou Oleksiy à CNN. Abandonar a posição, portanto, seria deixar a unidade ainda mais vulnerável.
O modelo previsto de rotação, um mês em combate seguido de outro em descanso, tornou-se inviável pela falta de substitutos. Na prática, conforme o oficial, os períodos chegam a três ou quatro meses, dependendo da função de cada soldado.
A infantaria, por estar diretamente exposta ao combate, permanece mais tempo do que soldados em funções tecnológicas. Operadores de drones de reconhecimento ficam apenas três a quatro dias em posição, enquanto pilotos próximos à linha ficam cerca de uma semana.

O cenário maior
Para compensar a escassez de pessoal, Kiev reforça o uso de drones e robôs terrestres operados à distância no campo de batalha. Ainda assim, comandantes ucranianos apontam a falta de efetivo como um dos principais desafios da guerra.
Oleksiy disse que sua prioridade como comandante é minimizar perdas. Para manter o moral da tropa, garantiu que todos tivessem contato diário com as famílias. “Isso ajuda muito”, afirmou ao canal, mesmo durante os períodos em que o Starlink falhou na linha de frente.




