Três pessoas morreram e outras três adoeceram a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que partia de Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou um caso de hantavírus e investiga outros cinco suspeitos.
Conforme comunicado oficial da OMS, um caso de infecção por hantavírus foi confirmado em laboratório. Os demais passageiros sintomáticos seguem em investigação epidemiológica e de sequenciamento do vírus, ainda em curso no último domingo, 3 de maio.
A embarcação é um navio polar de 107,6 metros, com capacidade para 170 passageiros em 80 cabines, além de 57 tripulantes, 13 guias e um médico a bordo. O roteiro previa parada em Cabo Verde antes de seguir para as Ilhas Canárias, na Espanha.
Quem morreu e quem está internado
As autoridades sul-africanas informaram que a primeira vítima foi um passageiro de 70 anos, que morreu a bordo. Seu corpo chegou à ilha de Santa Helena, território britânico no Atlântico Sul. A esposa dele, de 69 anos, foi evacuada e morreu num hospital de Joanesburgo.
O casal era holandês, conforme confirmou a agência AFP. Já um terceiro passageiro, britânico de 69 anos, está internado em UTI em Joanesburgo e foi o único caso confirmado em laboratório até agora. A terceira morte ainda estava a bordo no momento do comunicado.
A OMS coordena a evacuação médica de dois passageiros com sintomas, além de uma avaliação completa dos riscos à saúde pública. O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido confirmou contato com a empresa de cruzeiros e com autoridades locais da África do Sul.
Por que o hantavírus é tão perigoso
O hantavírus se transmite principalmente pela inalação de partículas contaminadas por fezes, urina ou saliva de roedores infectados. A transmissão direta entre humanos é rara, mas possível, segundo a própria OMS em suas diretrizes sobre o vírus.
Conforme os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), a síndrome pulmonar por hantavírus tem taxa de mortalidade de cerca de 38%. Não existe tratamento específico nem cura: os pacientes recebem cuidados de suporte, como oxigenoterapia e ventilação mecânica.
No Brasil, conforme o Ministério da Saúde, a doença acumula 2.376 casos confirmados desde 1993, com letalidade próxima a 40%. Os casos se concentram principalmente na região Sul do país, onde a presença de roedores silvestres em zonas rurais é mais frequente.





