Reconhecido como o maior manuscrito medieval do mundo, o Codex Gigas tem atraído a atenção de estudiosos há muitos anos, tanto por sua relevância histórica quanto por seus elementos mitológicos.
Afinal, vale lembrar que o livro também é conhecido como a “Bíblia do Diabo”, pois segundo as lendas de sua origem, um monge tcheco, que foi condenado a ser emparedado vivo por quebrar seus votos, pediu ajuda ao arcanjo banido, Lúcifer, para escrevê-lo.
A história ganha ainda mais força por conta de uma ilustração do Diabo que ocupa uma página inteira do manuscrito e que, teoricamente, teria sido acrescentada pelo monge como uma forma de agradecimento.
A figura, apresentada na página 577, conta com garras, chifres e uma língua bifurcada, assemelhando-se bastante às representações populares, embora não tenha sido pintado de vermelho.
Por conta disso, o título de “Bíblia do Diabo” se consolidou ainda mais no imaginário popular. Contudo, para estudiosos, por ter sido posicionada ao lado da representação da Cidade Celestial, a figura diabólica pode servir apenas para simbolizar uma das duas faces da vida cristã após a morte (céu e, no caso, inferno).
Textos do Codex Gigas: o que está escrito na “Bíblia do Diabo”?
Apesar das lendas que o cercam, o Codex Gigas também é considerado uma verdadeira biblioteca de sua época, pois ao invés de ritos satânicos, ele compila diversos registros interessantíssimos.
Dentre eles, estão o Antigo e o Novo Testamento, textos do historiador judeu Flávio Josefo, escritos do teólogo Isidoro de Sevilha, uma história da Boêmia, alguns feitiços e exorcismos e até mesmo um manual médico do século XII.
Por esse motivo, a fama de “Bíblia do Diabo” atribuída ao livro é injusta, uma vez que ele representa um importante registro histórico da humanidade.
O manuscrito, que tem quase um metro de altura, 51 centímetros de largura e pesa cerca de 75 quilos, atualmente está na Biblioteca Nacional da Suécia, em Estocolmo, guardado sob rigorosas condições de conservação.




