Mesmo não sendo comuns, alucinações podem surgir em diferentes situações, como nos momentos de adormecer ou acordar, em decorrência de fatores psicológicos ou até pelo uso de substâncias. Por conta disso, não há um padrão para o que é visto.
Um bom exemplo disso é o caso de uma mulher holandesa, que foi relatado originalmente em 2014 pela revista The Lancet, mas voltou a viralizar recentemente por conta de sua peculiaridade.
Desde a infância, a moradora da cidade de Haia aprendeu a lidar com as alucinações. No entanto, aos 52 anos, ela passou a ver dragões ao olhar para o rosto das pessoas, e decidiu buscar ajuda psiquiátrica para lidar com a situação.
De acordo com profissionais envolvidos no caso, após alguns minutos encarando rostos reais, a mulher passava a enxergá-los com um aspecto mais reptiliano, com um focinho proeminente, orelhas longas e pontudas e olhos enormes em tons de amarelo, verde, azul ou vermelho vivo.
Na época, foram realizados diversos exames para tentar entender a condição. Porém, somente após uma ressonância magnética, foi possível identificar diversas lesões próximas ao núcleo lentiforme do cérebro. Por isso, os médicos diagnosticaram a mulher com prosopometamorfopsia (PMO).
PMO: entenda a condição da mulher que enxergava dragões
Com apenas 81 casos descritos na literatura médica até o momento, a PMO é uma condição raríssima em que o paciente percebe os traços faciais de forma distorcida, que podem assumir formas dismórficas ou padrões específicos, como as figuras de dragões relatadas pela holandesa.
O quadro está relacionado a alterações nas estruturas cerebrais e a distúrbios que comprometem o funcionamento do órgão, como epilepsia, enxaqueca e Acidente Vascular Cerebral (AVC).
No caso em questão, os médicos suspeitavam que a paciente havia sofrido lesões no córtex occipitotemporal ventral, área do cérebro responsável pelo reconhecimento de objetos, corpos, palavras, cores e, logicamente, rostos.
Como está a mulher que via dragões?
A paciente foi inicialmente tratada com ácido valproico em doses diárias, um anticonvulsivante indicado para enxaqueca e transtorno bipolar. Mas, apesar de ter reduzido as visões com dragões, o medicamento deu origem a novas alucinações.
Por conta disso, ele acabou sendo substituído pela rivastigmina, que é utilizada para combater sintomas de demência em casos de Alzheimer ou Parkinson. Com isso, o tratamento finalmente começou a avançar.
De acordo com relatos recentes, embora não tenham desaparecido completamente, as visões da mulher se tornaram mais controladas, e por conta disso, houve uma melhora em suas relações sociais.




