No dia 29 de abril de 1945, soldados brasileiros forçaram a rendição de quatro divisões do Exército alemão no norte da Itália. A Batalha de Fornovo di Taro foi o último grande confronto da Força Expedicionária Brasileira (FEB), os chamados “pracinhas“, na Segunda Guerra Mundial.
Em desvantagem numérica, os pracinhas conseguiram o que nenhuma outra força aliada havia conquistado até então: a captura completa de uma divisão inimiga. A vitória bloqueou a retirada das tropas nazistas, contribuiu para a libertação da Itália e acelerou o colapso do Terceiro Reich, que já cedia diante do avanço soviético.
A chegada dos “pracinhas” na Itália
A Força Expedicionária Brasileira foi criada em agosto de 1943 por Getúlio Vargas. Em julho de 1944, os soldados desembarcaram na Itália sob o comando do general Mascarenhas de Morais e foram integrados às demais divisões aliadas na Campanha da Itália.
A primeira grande missão era ajudar a romper a “Linha Gótica”, o sistema defensivo do Eixo que impedia o avanço dos Aliados em direção ao norte da Península Itálica. Apesar das dificuldades, a FEB cumpriu a grande maioria das missões designadas.
Os brasileiros libertaram as cidades de Massarosa, Camaiore e Monte Prano no Vale do Rio Serchio. Em seguida, avançaram para os Apeninos, onde enfrentariam os confrontos mais duros da campanha. Mesmo prejudicados pelo inverno rigoroso, venceram os nazistas em Monte Castello, Castelnuovo e na Batalha de Montese.
Essas vitórias, somadas aos avanços norte-americanos em Belvedere e Della Torraccia, abriram caminho para a chamada “Ofensiva da Primavera”, a investida final dos Aliados para forçar a Alemanha à rendição.
Campanha em Collecchio e Fornovo di Taro
Durante a Ofensiva da Primavera, os pracinhas percorreram cerca de 400 quilômetros em 12 dias e libertaram mais de 60 localidades italianas. Após derrotar os nazistas em Montese e Zocca, as tropas brasileiras passaram a perseguir as colunas alemãs que evacuavam Gênova e La Spezia, impedindo que avançassem para o norte.
No entanto, um dos combates mais marcantes dos brasileiros foi no dia 26 de abril de 1945, quando um Esquadrão de Reconhecimento da FEB chegou à cidade de Collecchio e se deparou com um grande número de soldados alemães. O combate que se seguiu durou dois dias. Com a chegada de reforços da infantaria brasileira, os Aliados venceram a Batalha de Collecchio.
Com apenas 17 baixas na batalha, dois dias depois, o coronel Nelson de Mello mobilizou três esquadrões da FEB para Fornovo di Taro, a poucos quilômetros de Collecchio. Os brasileiros tiveram apoio de blindados norte-americanos e de uma brigada de partisans da Resistência Italiana.
Ao chegar na cidade, os aliados e a resistência italiana bloquearam as saídas da cidade e realizaram uma ofensiva concentrada no sul. Paralelamente, o 3º Batalhão e o Esquadrão de Reconhecimento atacaram pelo sudoeste. A artilharia passou a bombardear as posições alemãs, que responderam com disparos de canhão.
Os pracinhas neutralizaram todas as tentativas de romper o cerco. Cercados, sem munição e sem perspectiva de vitória, os alemães aceitaram negociar.
Rendição dos alemães
A mediação foi feita pelo padre Dom Alessandro Cavalli. Ele apresentou aos alemães o ultimato escrito pelo coronel Nelson de Mello. No documento, o coronel afirmava que as tropas estavam completamente cercadas e sem possibilidade de retirada, exigindo a rendição incondicional ao Exército brasileiro.
Os alemães protelaram a decisão por várias horas. No final do dia 29 de abril de 1945, aceitaram se render, encerrando a batalha.
Cinco soldados brasileiros morreram no confronto e outros 50 ficaram feridos. Do lado inimigo, foram capturados 14.779 militares do Eixo, a maioria da 148ª Divisão de Infantaria Alemã, além de combatentes italianos leais ao regime de Mussolini. Os pracinhas ainda apreenderam mais de 2.500 veículos, 4.000 cavalos e 80 canhões.
No dia 30 de abril, o general Otto Fretter Pico e outros 31 oficiais alemães também se entregaram aos brasileiros.
O feito foi considerado um marco histórico para os Aliados, pois a FEB foi a única força militar aliada a capturar integralmente uma divisão alemã durante a Campanha da Itália. A rendição em Fornovo di Taro inviabilizou qualquer tentativa de reorganização das forças do Eixo no norte do país.
Poucos dias depois, em 2 de maio de 1945, as tropas alemãs na Itália capitularam definitivamente.




