No dia 10 de outubro, Alexandre Carpine, de 50 anos, sofreu queimaduras gastrointestinais após consumir água mineral contaminada no município de Garça (SP). Carpine sentiu uma queimação intensa e vomitou sangue, o que o levou a buscar atendimento médico de emergência.
Em abril, um vídeo postado nas redes sociais capturou o momento em que ambulantes usavam bueiros no Centro da cidade do Rio de Janeiro para armazenar garrafas de água em condições precárias. O vídeo revelou garrafas em contato direto com esgoto, que eram vendidas nos semáforos por R$ 2,00.
Esses episódios chamam a atenção para um problema crescente: a comercialização ilegal de água mineral contaminada no Brasil.
Riscos da água mineral contaminada
A ingestão de água mineral contendo substâncias químicas desconhecidas pode causar sérios danos à saúde. As queimaduras no trato gastrointestinal de Carpine foram confirmadas por exames médicos. Isso pode ocorrer devido a falhas no processo de envase ou adulterações intencionais.
A origem do problema ainda não foi determinada e o caso está sob investigação da Polícia Civil, que apreendeu garrafas do lote suspeito em diversos locais de distribuição. Os resultados dos testes laboratoriais realizados sobre as amostras apreendidas são essenciais para esclarecer o caso.
Prática de armazenamento em bueiros
Relatos indicaram que o uso de bueiros como depósito de água não se limita ao Centro do Rio, sendo observado também em bairros como Lagoa e na Zona Norte do Rio. Essa prática, vista como uma tentativa de “refrigerar” as garrafas, pode causar um risco sério à saúde, já que essas águas podem estar contaminadas.
Em 2023, uma investigação do jornal O Globo sobre a qualidade da água vendida nas ruas revelou resultados preocupantes. De 30 amostras analisadas em laboratório, 28 apresentaram adulterações, com duas delas contendo coliformes fecais, um indicador perigoso de falta de sanidade na manipulação dos produtos.
Após a denúncia, o Instituto Municipal de Vigilância Sanitária (Ivisa-Rio) agiu. Uma operação realizada em depósitos de bebidas no Centro levou à aplicação de multas e interdição de estabelecimentos por irregularidades severas.
O mercado ilegal de água mineral e suas consequências
Esses incidentes expõem um mercado negro crescente no setor de águas minerais. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria das Águas Minerais (Abinam), as fraudes no setor movimentam cerca de R$ 46 milhões por ano.
Isso afeta não apenas a economia, mas também coloca em risco a saúde pública. A adulteração de água mineral pode resultar em penas de até 15 anos de prisão.
Como escolher água mineral com segurança?
Para se proteger, os consumidores devem verificar os rótulos, assegurando que contenham informações claras sobre a origem e composição química da água.
É aconselhável optar por marcas conhecidas e garantir que o lacre das embalagens esteja intacto. A fiscalização rigorosa é essencial para garantir a qualidade em todas as etapas, da extração à venda.
Manter-se vigilante e garantir que produtos no mercado atendam aos requisitos legais é vital para a segurança dos consumidores.




