Relatórios publicados pela NASA confirmam que astronautas que passam semanas em órbita podem crescer. Segundo informações da organização, astronautas que passam tempo na chamada “microgravidade” podem aumentar a estatura em até 3%, principalmente nos primeiros dias fora da Terra.
O crescimento acontece porque, sem a ação constante da gravidade, a coluna vertebral não sofre a compressão habitual do dia a dia. Os discos intervertebrais se expandem, aumentando o espaço entre as vértebras e, consequentemente, a altura do astronauta.
No entanto, a NASA deixa claro que esse processo não representa um ganho fisiológico positivo. O alongamento da coluna altera a mecânica do corpo de forma significativa e pode impactar negativamente a saúde do astronauta.
Em condições normais, os músculos que sustentam a região lombar trabalham de forma constante para estabilizar a coluna. No espaço, esse trabalho diminui. Ligamentos e discos passam a assumir cargas diferentes das habituais, deixando a coluna mais alongada, porém também mais vulnerável a tensões e desconfortos.
O que isso pode causar na prática?
Segundo informações divulgadas nos relatórios da organização, a dor lombar é um dos sintomas mais comuns entre astronautas em missão. Em vários casos, o desconforto surge logo nos primeiros dias após a adaptação à microgravidade.
Uma parcela significativa dos tripulantes relata algum grau de dor nas costas durante o voo. Além do impacto físico, isso pode afetar o desempenho operacional da tripulação, já que qualquer instabilidade corporal interfere na precisão dos movimentos em um ambiente onde cada ação precisa ser cuidadosa.
No entanto, o maior risco está no retorno à Terra. Após semanas ou meses em microgravidade, a coluna chega ao solo adaptada ao estado de alongamento. Quando a gravidade volta a atuar sobre o corpo, ocorre uma compressão rápida e intensa sobre os discos intervertebrais.
Pesquisas com astronautas que retornaram de missões de longa duração mostraram que a incidência de hérnia de disco pode ser maior nesse grupo do que na população geral. Durante a missão, os discos absorvem mais fluido e se expandem. No retorno, essa estrutura inchada recebe a carga gravitacional novamente, e isso pode danificá-la.
Os músculos também são afetados
Um dos principais sintomas relatados por astronautas é a atrofia muscular. Isso se dá pelo fato de que a pessoa está vivendo em um ambiente de microgravidade e não importa o quanto o astronauta se exercite fora de órbita, os músculos não conseguem ser compensados pela falta de esforço diário na gravidade da Terra.
Além disso, a perda de massa muscular em microgravidade é outro fator que contribui para o problema da coluna. Mesmo com rotinas intensas de exercício a bordo da Estação Espacial Internacional, os astronautas ainda sofrem algum grau de atrofia, especialmente nos músculos responsáveis pela sustentação postural.
Com menos suporte muscular, a coluna precisa lidar com cargas maiores no retorno sem a proteção necessária. A combinação de discos mais vulneráveis e musculatura enfraquecida aumenta o risco de lesões no período pós-missão.
Preocupação da NASA
A preocupação com a saúde da coluna vai além do aspecto médico. Em muitos cenários, os astronautas precisam estar aptos para tarefas imediatas após o pouso, incluindo evacuação da cápsula e deslocamento em ambientes adversos. Limitações de movimento ou dor intensa comprometem diretamente essa capacidade.
O problema ganha dimensão ainda maior quando se consideram missões à Lua e a Marte. Viagens a Marte podem durar anos; os efeitos sobre a coluna tendem a ser mais intensos e, nesse contexto, não existe possibilidade de evacuação ou tratamento especializado imediato.
Diante disso, a NASA vem desenvolvendo programas específicos de fortalecimento muscular, equipamentos que simulam carga axial e protocolos de recondicionamento pós-voo. Ainda assim, a agência reconhece que não existe solução completa para eliminar os efeitos da microgravidade sobre a coluna, e o risco segue ativo.




