A Coreia do Sul está novamente no centro das atenções devido a um escândalo de corrupção.
A ex-primeira-dama, Kim Keon Hee, foi condenada a 20 meses de prisão por um tribunal em Seul, sob a acusação de aceitar subornos da Igreja da Unificação.
As acusações envolvem receber presentes luxuosos como bolsas e joias, em troca de favores políticos.
Quem é Kim Keon Hee e o contexto político
Kim Keon Hee é a ex-primeira-dama da Coreia do Sul, esposa do ex-presidente Yoon Suk Yeol, que foi destituído do cargo após uma tentativa controversa de impor lei marcial ao país em dezembro de 2024.

Durante o mandato de seu marido, ela foi uma figura muito discutida na política sul-coreana por causa de várias acusações de corrupção e influência indevida.
Kim, de 53 anos, já havia sido presa em agosto de 2025 com base em mandados que alegavam risco de destruição de provas. Desde então, vinha enfrentando uma série de acusações que atingiram sua imagem e a do ex-presidente.
Condenação por corrupção
Na última quarta-feira (28), um tribunal em Seul condenou Kim Keon Hee a 20 meses de prisão por corrupção, considerando que ela aceitou presentes de luxo em troca de favores políticos.
De acordo com a sentença, a ex-primeira-dama recebeu itens caros, incluindo uma bolsa da Chanel e um colar de diamantes da marca Graff, entregues por figuras ligadas à Igreja da Unificação, um grupo religioso influente no país.
Esses presentes foram considerados propinas, porque teriam sido dados em troca da promessa de apoio político a interesses da igreja.
O juiz responsável afirmou que, apesar de a esposa do presidente não ter cargo oficial de poder político, a posição de primeira-dama lhe dava influência significativa, que ela teria explorado para obter vantagens pessoais.
Outras acusações e absolvições
Kim enfrentava três grandes acusações no processo:
- Corrupção por aceitar presentes caros da Igreja da Unificação;
- Manipulação do preço de ações em um esquema financeiro (Deutsch Motors);
- Violação da lei de financiamento político por supostamente receber pesquisas de opinião de forma irregular.
O tribunal absolveu Kim das duas últimas acusações por falta de evidências suficientes para provar que ela participou diretamente desses crimes.
Repercussões do veredito
A sentença foi considerada menor do que a punição pedida pelos promotores. Eles haviam solicitado uma pena bem mais longa, cerca de 15 anos de prisão e multas altas, argumentando que a influência exercida por Kim tinha sido prejudicial para as instituições sul-coreanas.
Alguns críticos afirmaram que a decisão do tribunal poderia enviar uma mensagem fraca sobre corrupção no país. Por outro lado, a defesa de Kim afirmou que a investigação tinha sido motivada por razões políticas e ainda está avaliando se irá recorrer da sentença.
Importância histórica da responsabilização pela corrupção
Esse julgamento é marcante porque exemplifica um momento em que figuras muito próximas ao poder, incluindo a família de um presidente, foram responsabilizadas judicialmente por crimes graves.
Além disso, a condenação de Kim vem no mesmo período em que seu marido, Yoon Suk Yeol, também foi condenado a 5 anos de prisão em outro processo, e enfrenta outros julgamentos, incluindo acusações que podem levar à prisão perpétua ou até à pena de morte caso sejam comprovadas.




