De acordo com o Instituto da Universidade das Nações Unidas (ONU) para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde, o mundo já entrou em um estágio de “falência hídrica”, com diversos sistemas sendo incapazes de recuperar suas condições naturais históricas.
Por conta disso, a economia de água se tornou uma prioridade. E para contribuir para este objetivo, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram uma alternativa inusitada.
Batizada de “Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura (Sistrates)”, a solução consiste em um mecanismo que consegue transformar os dejetos de porcos em água potável, evitando assim o gasto de recursos hídricos de boa qualidade.
Vale lembrar que, segundo o Relatório Mundial de Desenvolvimento da Água, criado pela ONU, a agricultura é responsável por cerca de 70% da captação de água doce de todo o planeta. Contudo, graças ao Sistrates, este impacto pode ser reduzido.
Ricos em nutrientes essenciais para o cultivo, o xixi e o cocô dos porcos também são utilizados como fertilizante por muitas fazendas, desde que haja tratamento prévio. Sendo assim, para produtores incapazes de usar os dejetos para este fim, a ferramenta da Embrapa também surge como uma alternativa sustentável.
Água potável feita com dejetos de porcos pode ser consumida?
Conforme relatado pelo portal g1, para demonstrar o potencial do Sistrates, foi produzido um lote experimental de cerveja artesanal que foi degustada em eventos científicos realizados entre 2024 e 2025.
E embora mestres cervejeiros que participaram dos eventos confirmaram que a água utilizada para produzir a bebida não cause diferença no sabor da cerveja, este não é o objetivo central da criação da Embrapa.
Para a empresa, o Sistrates deve servir tanto para evitar que os dejetos de porcos contaminem fontes de água, o solo e o ar quanto para evitar que novas águas sejam utilizadas na produção, reduzindo drasticamente os gastos.
Vale destacar que, nas fazendas, a água tratada tem passado a ser reaproveitada na faxina das instalações. E graças ao Sistrates, que já tem sido adotado por alguns criadores de suínos, ela acaba sendo devolvida aos rios dentro dos padrões ambientais.




