Cerca de uma semana depois do fim da missão Artemis II, a astronauta Christina Koch ainda lida com as consequências de ter passado um período na chamada “microgravidade“. Ela vem usando as redes sociais para documentar o processo de recuperação e mostrar, na prática, o que o corpo humano enfrenta após uma missão espacial.
Em um vídeo publicado no sábado, dia 18, Koch aparece tentando caminhar em linha reta com os olhos fechados. A dificuldade para manter o equilíbrio chamou a atenção dos internautas.
“Quando as pessoas vivem em microgravidade, os sistemas do nosso corpo que evoluíram para informar ao cérebro como estamos nos movendo, os órgãos vestibulares, não funcionam corretamente. Nosso cérebro aprende a ignorar esses sinais e, quando voltamos à gravidade, passamos a depender fortemente da visão para nos orientar”, escreveu a astronauta na postagem.
Por que o corpo perde o equilíbrio no espaço?
A própria astronauta explicou o que acontece. Em microgravidade, o cérebro aprende a desconsiderar os sinais enviados pelos órgãos vestibulares, que são as estruturas responsáveis por informar ao sistema nervoso como o corpo se move. De volta à Terra, o organismo ainda opera com essa lógica alterada e passa a depender muito mais da visão para se orientar no espaço.
Koch também apontou um aspecto positivo nesse processo. Segundo ela, estudar essa readaptação pode ajudar a entender melhor como tratar condições como vertigem, concussões e outras disfunções neurovestibulares em pacientes comuns aqui na Terra.
“Uma caminhada em linha reta com os olhos fechados pode ser desafiadora! Entender isso pode ajudar a melhorar o tratamento de vertigem, concussões e outras condições neurovestibulares aqui na Terra”, continuou Koch.
Quais outros efeitos o espaço causa ao corpo?
O desequilíbrio é só um dos impactos. Os tripulantes da cápsula Orion também podem apresentar perdas na densidade óssea e na massa muscular, além de alterações no sistema cardiovascular e no sistema imunológico. A visão também pode ser afetada, assim como o próprio DNA dos astronautas, em função da exposição à radiação espacial.
Esse conjunto de efeitos faz com que a NASA trate a fase de reabilitação pós-missão como uma etapa tão exigente quanto o próprio voo. Para Koch e os demais membros da Artemis II, a recuperação plena ainda vai levar semanas.




