Uma descoberta recente está desafiando o entendimento comum sobre a origem das múmias mais antigas do mundo.
Arqueólogos encontraram evidências de mumificação no sudeste asiático que datam de até 14 mil anos, muito antes das práticas egípcias.
Este achado, revelado em estudos publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), sugere que povos dessa região utilizavam técnicas de mumificação diferentes das tradicionais egípcias.
Técnica inovadora de defumação
Os povos antigos do sudeste asiático desenvolveram uma forma única de mumificação: a defumação. Ao contrário dos métodos de embalsamamento egípcios, os corpos eram expostos à fumaça de baixa temperatura por semanas ou meses.
Este processo desidratava naturalmente os corpos, retardando a decomposição. Arqueólogos analisaram esqueletos encontrados em várias cavernas na China, Vietnã e Indonésia, observando sinais de calor e fuligem nos ossos, sem combustão total.
Evidências arqueológicas substanciais
Os estudos observaram 54 sepultamentos em detalhe. Em mais de 80% dos casos analisados, os ossos apresentavam mudanças moleculares compatíveis com defumação prolongada.
Essa técnica, documentada por Hsiao-chun Hung, da Universidade Nacional Australiana, aparece em rituais de várias culturas ao longo de milênios, sugerindo um valor espiritual além da preservação física.
Diferenças com o Egito
Múmias egípcias costumavam ser embalsamadas com resinas e envoltas em linho. Já no sudeste asiático, os corpos eram colocados em fogueiras de baixa temperatura, presos em posição fetal.
A prática visava manter a presença física dos mortos na comunidade. O calor suave retirava a umidade dos corpos, permitindo que a decomposição fosse significativamente atrasada.
Implicações para a história da mumificação
Esta descoberta no sudeste asiático expande a narrativa histórica da mumificação, frequentemente concentrada no Egito e nas culturas da América do Sul.
Arqueólogos planejam continuar as investigações para datar sepultamentos ainda mais antigos e compreender a evolução das práticas funerárias.




