Os últimos orelhões, símbolos das cidades brasileiras, começaram a ser removidos das ruas de São Paulo. Essa decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) representa o desenlace de um importante capítulo na história das telecomunicações do Brasil.
Originalmente, mais de 1,5 milhão de orelhões espalhavam-se pelo país, conectando pessoas em uma época em que a comunicação pessoal ainda era um luxo.
Papel histórico dos orelhões
Introduzido na década de 1970, o projeto do orelhão foi desenvolvido pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira.

Seu design não só se destacou pela estética, mas também pelo objetivo social: democratizar a comunicação em um país onde a telefonia residencial era restrita a poucos.
Nas décadas de 1980 e 1990, as filas eram comuns, com pessoas de todas as idades utilizando o aparelho para conectar-se com familiares e amigos distantes.
A ascensão do celular e o desaparecimento dos orelhões
Com a popularização dos celulares nos anos 2000, os orelhões começaram a perder terreno. A capacidade de fazer chamadas de qualquer lugar rapidamente suplantou a utilidade dos telefones públicos.
Em 2020, o Brasil contava com menos de 200 mil desses aparelhos, número que caiu ainda mais para cerca de 30 mil, com remoção programada até 2028. A transição das concessões de telefonia fixa para autorizações, dirigida pela Anatel, facilitou esse processo.
Recordações dos dias de orelhões
Ainda que seu uso tenha diminuído, os orelhões deixaram um legado marcante. Momentos como encontros de jovens ao redor de um desses aparelhos em São Paulo destacam a importância social que tiveram.
Esses telefones públicos foram testemunhas de inúmeros momentos pessoais e coletivos, desde chamadas urgentes até conversas românticas.
Futuro das telecomunicações no Brasil
Enquanto os orelhões deixam de existir, o Brasil avança rumo a novas tecnologias de comunicação. A expansão da internet móvel, especialmente com a implementação do 5G, promete manter a conexão mesmo nas áreas mais afastadas.
À medida que 2028 se aproxima, o plano é remover os orelhões restantes, exceto em áreas sem cobertura móvel. O que começou como 1,5 milhão de unidades em operação, agora se traduz em poucas milhares, com a tecnologia atual dominando o cenário.




