O governo do Reino Unido sinalizou na terça-feira (30) que pode intervir na fusão avaliada em US$ 110 bilhões entre a Paramount Skydance e a Warner Bros.
Discovery. Lisa Nandy, secretária de Cultura, Mídia e Esporte britânica, declarou estar “inclinada a intervir” no negócio e enviou carta formal às empresas notificando a posição.
No vocabulário do governo britânico, a expressão “inclinado a intervir” funciona como um aviso oficial de que uma medida está em preparação. As empresas têm até 6 de julho para responder à carta. Depois disso, Nandy decidirá se emite uma notificação formal de intervenção de interesse público.
Caso a intervenção avance, dois órgãos serão acionados: o Ofcom, reguladora de mídia britânica, e a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA).
Cada um terá até 40 dias para apresentar seus relatórios. Depois disso, a secretária decidirá se aprova o negócio ou o encaminha para uma investigação mais aprofundada, que pode durar até 24 semanas.
Qual é a preocupação central
O foco do governo britânico não é só concorrência. A questão central é a pluralidade de mídia. Com a fusão, dois dos maiores conglomerados de entretenimento e jornalismo do mundo ficariam sob o mesmo controle.
A Warner detém a CNN International e a Paramount controla o Channel 5, uma das maiores emissoras britânicas de TV aberta.
Nandy quer avaliar se concentrar essas marcas jornalísticas e de entretenimento numa única empresa representa o melhor interesse do público britânico.
O histórico do regulador
A CMA já enfrentou um caso similar em 2023, quando bloqueou a compra da Activision Blizzard pela Microsoft por US$ 69 bilhões.
Depois que a Microsoft ajustou o plano de aquisição, o órgão mudou de posição e aprovou o negócio. O episódio deixou claro que o regulador britânico atua de forma independente e não costuma ceder facilmente a pressões comerciais.
O que as empresas dizem
Em nota à CNN, um porta-voz da Paramount afirmou que a transação “não apresenta problemas de pluralidade de mídia no Reino Unido”.
A empresa disse estar confiante na conclusão do acordo até o fim de setembro de 2026. Se o prazo não for cumprido, uma cláusula contratual adiciona US$ 7 milhões por dia ao custo total da operação até a aprovação final.
Além do Reino Unido, o acordo já foi aprovado pelos Estados Unidos, China, Austrália, Alemanha, França e Arábia Saudita.




