As mudanças nas regras da Carteira Nacional de Habilitação levaram os exames práticos de direção a um recorde histórico no Brasil. Entre janeiro e maio de 2026, mais de 2,2 milhões de testes práticos foram realizados no país, alta de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizadas 1,8 milhão de avaliações.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (24) pelo Ministério dos Transportes.
No mesmo intervalo, 1.138.190 carteiras de habilitação foram emitidas sob as novas regras, também o maior volume já registrado para os primeiros cinco meses do ano.
O que mudou
As novas regras, em vigor desde a publicação do Contran, eliminaram a obrigatoriedade do curso teórico presencial em autoescolas para quem busca a primeira habilitação.
O candidato pode agora estudar pelo curso online gratuito disponibilizado pelo governo. As aulas práticas obrigatórias caíram de 20 horas para apenas 2, e instrutores autônomos foram autorizados a dar aulas sem vínculo com autoescolas.
Na prova prática, a baliza deixou de ser etapa obrigatória. O sistema de reprovação também mudou: antes, uma falta grave eliminava o candidato na hora. Agora, as infrações geram pontos (leve = 1, média = 2, grave = 4, gravíssima = 6) e o candidato é reprovado apenas se ultrapassar 10 pontos ao longo do exame.
O impacto no bolso
O custo total do processo, que chegava a entre R$ 3 mil e R$ 5 mil dependendo do estado, pode agora ser feito por menos de R$ 700 em alguns estados. Em Minas Gerais, por exemplo, o valor caiu de R$ 2.255 para cerca de R$ 660, redução de mais de 70%.
Segundo o Ministério dos Transportes, a mudança gerou economia superior a R$ 1,84 bilhão para os candidatos no país até maio.
O custo dos exames médico e psicológico, que chegava a R$ 439 anteriormente, foi limitado a no máximo R$ 180 pela mesma medida provisória. A primeira retentativa da prova prática é gratuita; a partir da terceira tentativa, o candidato paga nova taxa, que varia entre R$ 80 e R$ 150 por estado.
Por que a mudança era necessária
O Ministério dos Transportes estima que cerca de 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação no país, principalmente por causa do custo elevado do processo. A redução de barreiras financeiras é apontada como o principal fator por trás do aumento de procura nos primeiros meses do ano.
Apesar do crescimento de candidatos, a pasta informou que as filas na fase final do processo não aumentaram.




