A França confirmou nesta quarta-feira (24) o primeiro caso de ebola no país e o primeiro fora do continente africano desde o início do surto atual na República Democrática do Congo. O paciente é um médico que retornou de uma missão humanitária no Congo pela ONG Alima e desembarcou em Paris no dia anterior, no voo AF736 da Air France, partindo de Kinshasa.
Segundo o Ministério da Saúde francês, o médico embarcou praticamente sem sintomas, com apenas dores de cabeça. O estado piorou levemente durante o voo e, ao aterrissar no aeroporto Charles de Gaulle, foi atendido imediatamente pela equipe médica do terminal.
Transferido para uma unidade hospitalar especializada em doenças de alta transmissibilidade, com sistema de pressão negativa, o paciente está estável. A carga viral foi descrita como “muito baixa” pelo ministério.
A Air France confirmou o caso e informou que entregou às autoridades sanitárias a lista completa de passageiros do voo. Os contatos identificados como de risco serão rastreados pela agência regional de saúde e deverão cumprir isolamento domiciliar de 21 dias com acompanhamento médico.
Por que o caso preocupa
O ebola se transmite por contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, provoca febre hemorrágica grave, com sintomas como vômitos, diarreia e sangramentos internos. A cepa em circulação no Congo é o Bundibugyo, variante rara para a qual não existe vacina nem tratamento aprovado.
Desde o início do surto, em maio, a RDC acumula mais de 1.000 casos confirmados e pelo menos 254 mortes. A Organização Mundial da Saúde declarou emergência de saúde pública de importância internacional em 17 de maio. Ugandenses também foram afetados: 19 casos e 2 mortes foram confirmados no país vizinho.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) mantém a avaliação de risco como baixa para viajantes que se deslocam para zonas de transmissão ativa e muito baixa para a população europeia em geral. Casos suspeitos anteriores no Brasil e na Itália durante o surto atual foram descartados.
O gabinete do primeiro-ministro Emmanuel Macron informou que o caso está sendo “acompanhado de muito perto”. As autoridades francesas também reforçaram o protocolo sanitário para cooperantes que regressam de zonas de risco.




