O Governo Federal confirmou nesta semana a criação, até o final de 2026, do Centro Brasileiro de Emergências em Saúde Pública (Cbesp). A nova instituição, vinculada ao Ministério da Saúde e com governança técnica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tem como missão coordenar o país no enfrentamento de futuras crises de saúde, como surtos e epidemias, como aconteceu com a Covid-19.
A iniciativa, articulada pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS), visa transformar a resposta a crises sanitárias em uma política de Estado, e não de governo, garantindo continuidade e base científica às decisões, independentemente de mudanças políticas.
“O centro trará uma perspectiva nacional unificada, pactuada e baseada exclusivamente nas melhores evidências científicas”, afirmou Gerson Penna, diretor-presidente do ITpS.
Estrutura integrada ao SUS
O Cbesp operará integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), funcionando em modelo de rede que articula o Governo Federal, secretarias estaduais e municipais, universidades e institutos de pesquisa.
Segundo a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, a expectativa é formalizar o projeto de lei ainda em 2026, com a implementação operacional avançando a partir de 2027.
O financiamento será garantido pelo Orçamento Geral da União (OGU), complementado por parcerias internacionais e geração de receitas próprias, assegurando recursos estáveis para o monitoramento contínuo de riscos.
Resposta a ameaças complexas
Diferente de estruturas anteriores focadas apenas em doenças infecciosas, o novo centro adota uma abordagem intersetorial, integrando áreas de saúde, meio ambiente, agricultura e ciência. O objetivo é responder a um cenário global complexo, onde mudanças climáticas, desmatamento e fluxos migratórios aceleram o surgimento de novas ameaças.
Lições com a Covid-19
A estrutura foi desenhada para corrigir falhas críticas identificadas durante a crise da Covid-19, que vitimou mais de 7 milhões de pessoas no mundo, sendo 10% dessas mortes no Brasil. Especialistas apontam que a falta de coordenação federal, a comunicação inconsistente e o negacionismo científico agravaram o cenário na época.
Com o Cbesp, o Brasil busca estabelecer um corpo técnico permanente e especializado em inteligência epidemiológica. O ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que participou das discussões sobre a proposta, avalia que a medida representa um “salto de qualidade”.
“A estruturação de uma organização específica dará uma solução muito mais ágil e adequada, cobrindo detecção, manejo, enfrentamento e comunicação de riscos”, afirmou Temporão.




