A partir de julho de 2026, todo novo CNPJ aberto no Brasil vai combinar letras e números pela primeira vez na história do cadastro. A Receita Federal oficializou a mudança publicada em outubro de 2024, e o novo modelo entra em produção em 31 de julho.
O motivo é inusitado: o Brasil está perto de esgotar as combinações numéricas disponíveis.
O país já soma mais de 63 milhões de CNPJs emitidos, e cada número, uma vez usado, nunca pode ser reaproveitado, assim, o formato alfanumérico amplia bastante a capacidade de geração de novos cadastros e evita que o sistema trave nos próximos anos.
A mudança não afeta os CNPJs já existentes, então, toda empresa com cadastro ativo continua com o mesmo número, sem necessidade de qualquer atualização. A regra vale só para novas inscrições e novas filiais abertas a partir de julho.
Como fica o novo formato
O CNPJ continua com 14 posições, mas a composição muda, agora as 8 primeiras posições, que formam a raiz do cadastro, e as 4 seguintes, que identificam a filial, passam a aceitar tanto números quanto letras maiúsculas de A a Z.
Os 2 últimos dígitos, chamados de dígitos verificadores, continuam sendo só numéricos, calculados pelo mesmo método usado hoje, o módulo 11.
Um exemplo de CNPJ no novo padrão ficaria assim: AB12C3D4/0E9F-45.
Sistemas vão precisar ser adaptados
Bancos de dados, sistemas de emissão de notas fiscais, plataformas de e-commerce e ferramentas de análise de crédito vão precisar se adaptar para aceitar letras nos campos hoje reservados a números.
Empresas de tecnologia financeira, como a Serasa, já começaram a atualizar seus sistemas internos para reconhecer o novo padrão.
A Receita Federal também esclareceu que não existe nenhuma relação entre a mudança e rastreamento de movimentações financeiras. Segundo o órgão, a única regra adicional é evitar que as combinações de letras formem palavras ofensivas ou constrangedoras.




